Turismo sem informação

Em seu site na internet, a São Paulo Turismo S.A. (SPTuris), empresa de capital aberto na qual a Prefeitura tem 94,73% de participação, afirma que a empresa "atua para fazer de São Paulo um destino-referência em entretenimento e lazer, que vai muito além dos negócios, destacando o turismo de sensações". Mas as primeiras sensações que assaltam o turista recém-chegado são a falta de informações, de respeito e o desleixo. As Centrais de Informações Turísticas (CITs) de Cumbica funcionam de maneira intermitente, estão escondidas atrás das escadas rolantes, em espaço minúsculo, abrem fora do horário e fecham diversas vezes ao longo do dia, como apurou a reportagem do Estado.

O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2012 | 03h05

Um senhor aposentado, de 71 anos, que veio de Porto Alegre para uma consulta médica em São Paulo, onde pensava ficar alguns dias, e desejava saber o endereço sobre o local de uma exposição de museu francês na cidade, foi mandado do Terminal 1 de Cumbica para o 2, onde a CIT "estava atendendo". Isso o obrigaria a uma longa caminhada para receber a informação, se tivesse sorte, de que a exposição de 85 peças do Museu d'Orsay, de Paris, estará até outubro no Centro Cultural Banco do Brasil, à Rua Álvares Penteado, 112, em pleno centro histórico da cidade.

São Paulo oferece muitas sensações estéticas, atraentes para qualquer turista, se é a isso que se refere a SPTuris, mas, além da falta de infraestrutura dos aeroportos e do trânsito congestionado nas ruas, há a desconsideração pelo turista. "Que coisa, né?", disse, espantada, uma farmacêutica baiana que desembarcou no Terminal 1 de Cumbica. "Em São Paulo, a maior cidade, o maior aeroporto. Eu queria um mapa. Vou pegar um ônibus agora para Congonhas, quem sabe eu consigo lá." Se ela se aventurou a atravessar a cidade em busca de um mapa urbano, saiu de mãos vazias. Não existe CIT em Congonhas. No mês passado, o presidente da SPTuris, Marcelo Rehder, disse que uma CIT deve ser instalada ainda este ano naquele aeroporto e se espera que seja visível.

Ainda bem, porque parece que tudo em matéria de turismo em São Paulo - e, seguramente, em outras partes do País - ficou para a Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil pode receber milhares de visitantes estrangeiros e o fluxo interno de passageiros deve ser muito ativado. Mas São Paulo hoje já recebe anualmente 12,3 milhões de visitantes, número que pode chegar em 2014 a 15 milhões, que aqui vêm a negócios, para tratamento médico, para compras e também para entretenimento e para apreciar os bens culturais da cidade. São Paulo é também um centro gastronômico internacionalmente reconhecido. Entre os 101 melhores restaurantes do mundo, escolhidos por 53 renomados chefes de cozinha, 3 estão em São Paulo (Newsweek, 13/8). O Rio ficou com 1.

Uma cidade tão cosmopolita como São Paulo, onde é possível encontrar gente de todo o País e de todos os países do mundo, não pode ter um serviço de informação aos turistas que funciona como o pior tipo de repartição pública. O horário de trabalho fixado, das 6 às 22 horas, é flagrantemente desobedecido. A reportagem foi informada em Cumbica, que os funcionários chegam lá pelas 7h30, mas é costume eles se atrasarem até as 10 horas. E são apenas um ou dois por dia, de acordo com a escala de revezamento que a SPTuris adota. Como aquele conhecido truque de deixar o paletó na cadeira para marcar presença é impraticável, os funcionários adotaram o cartaz "volto logo" pregado na porta. Convenhamos que, dentre as oito Centrais de Informações Turísticas da SPTuris, é mais cômodo trabalhar na da Avenida Paulista ou na do Mercado Municipal, do que em Cumbica, que a SPTuris, da Prefeitura de São Paulo, teve a generosidade de instalar em outro município.

A empresa alega que o número de funcionários varia de acordo com a demanda, parecendo ignorar que grande parte dos voos internacionais chega entre 4h30 e 7 horas. Segundo a empresa, a ampliação do horário para funcionamento das Centrais de Informações Turísticas dos aeroportos para 24 horas ininterruptas está "em estudos".

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.