UE fraqueja, mas bate o Brasil

O crescimento mundial continuará dependendo principalmente da China e dos Estados Unidos por uns dois anos, na melhor hipótese, até a União Europeia e o Japão deslancharem e deixarem para trás o risco de uma nova estagnação. As autoridades europeias cortaram as projeções de expansão econômica em 2014 e 2015. A revisão pode ser mais um estímulo para o Banco Central Europeu (BCE) avançar no afrouxamento monetário, recolhendo mais títulos do mercado e em troca pondo mais dinheiro em circulação. Dirigentes do BCE têm reiterado a disposição de iniciar, a qualquer momento, ações mais audaciosas para evitar uma deflação.

O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2014 | 02h03

Se houver maior afrouxamento, o contraste entre a política monetária europeia, cada vez mais expansionista, e a americana, a caminho de uma alta de juros, se acentuará. É cedo para dizer como isso afetará os fluxos de capitais no mercado internacional, mas um ponto é certo: com inflação elevada, contas públicas em mau estado e contas externas enfraquecidas, o Brasil estará vulnerável a qualquer turbulência.

A perda de impulso do crescimento europeu já havia sido apontada no começo de outubro, quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou suas novas estimativas: o avanço previsto para a zona do euro foi reduzido de 1,1% para 0,8% neste ano e de 1,5% para 1,3% no próximo. As previsões do Fundo para o Reino Unido foram mantidas em 3,2% em 2014 e 2,7% em 2015.

Os números anunciados pelas autoridades europeias são um pouco diferentes, mas a revisão, de modo geral, vai no mesmo sentido. Na zona do euro, segundo a Comissão Europeia, as novas projeções para os dois anos são de 0,8% e de 1,1% (1,2% e 1,7% na avaliação anterior). As perspectivas são melhores para a União Europeia, formada por 28 países, 10 a mais que a zona do euro. O crescimento estimado para 2014 passou de 1,6% para 1,3% e o calculado para 2015 diminuiu de 2% para 1,5%.

Tanto para a zona do euro quanto para a União Europeia as novas projeções indicam, apesar dos cortes, desempenho melhor que o previsto para o Brasil em 2014. Segundo as últimas estimativas do mercado financeiro, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer neste ano 0,24%. O último número projetado pelos economistas do FMI é 0,3%.

Embora a presidente Dilma Rousseff e seus auxiliares continuem atribuindo os problemas brasileiros à crise internacional, os países do mundo rico mostram, em conjunto, mais dinamismo que o Brasil. No terceiro trimestre, o PIB dos Estados Unidos cresceu em ritmo equivalente a 3,5% ao ano, pela primeira estimativa.

Esse cálculo ainda será revisto e as novas contas poderão indicar um resultado mais modesto. Ainda assim, será provavelmente muito melhor que qualquer número estimado para o crescimento brasileiro.

A maior economia da zona do euro e da União Europeia, a Alemanha, continuará liderando o crescimento na região, embora com sensível perda de impulso neste semestre. A Comissão Europeia cortou de 1,8% para 1,3% a expansão prevista para 2014 e de 2% para 1,1% a estimada para o próximo ano. Mas o mercado de trabalho continuará vigoroso e a recuperação da atividade será facilitada pelas boas condições das contas públicas e do comércio exterior do país.

A segunda maior economia da união monetária, a França, deve crescer 0,3% neste ano e 0,7% em 2015. Os números anteriores eram 1% e 1,5%. Segundo a Comissão Europeia, o déficit das contas públicas francesas deve ficar em 4,4% neste ano e aumentar para 4,5% em 2015 e 4,7% do PIB em 2016. A avaliação é acompanhada, naturalmente, de pressões para um controle maior das contas públicas. Mais uma vez o Brasil fica mal na comparação. Nos 12 meses até setembro, o déficit nominal brasileiro chegou a 4,92% do PIB, segundo o último relatório do Banco Central. O resultado nominal é o mais amplo - inclui o serviço da dívida pública - e é o indicador usado normalmente para a avaliação da situação fiscal nos países desenvolvidos.

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