Um Copom satisfeito e sem críticas...

Misturando análise retrospectiva e prospectiva, a Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 1º e 2 de setembro mostra muita tranquilidade no que se refere ao controle da inflação para os próximos dois anos.

, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

A impressão que se tem é de que, se o Conselho Monetário Nacional tivesse reduzido a meta de inflação para os dois próximos anos, em vez de mantê-la, como fez, o raciocínio poderia ter sido outro.

Porém, levando em conta tão somente o controle da inflação, a economia brasileira justifica a tranquilidade dos membros do Copom que, com cautela realista, preferiram manter a taxa Selic em 8,75%, resistindo às pressões por uma redução pelo menos simbólica de uma taxa básica das mais altas do mundo e que repercute sobre as taxas de juros efetivamente praticadas.

O Copom registra a tendência baixista dos índices de inflação e considera que o nível de utilização da capacidade instalada na indústria deixa margem para atender a qualquer aumento da demanda doméstica por um prazo ainda longo, uma vez que parte dessa margem de ociosidade decorre da queda das exportações de produtos manufaturados para países cujas necessidades deverão se prolongar. Uma recuperação da economia internacional pode compensar, de fato, a redução de alguns estímulos fiscais, sem falar na perspectiva de expansão do crédito, especialmente em favor das pessoas físicas.

Há, no entanto, um fator que os membros do Copom parecem menosprezar: os efeitos que poderão advir dos gastos oficiais, mais adiante, para a economia, e suas consequências sobre o crescimento da dívida pública.

É que, em relação à política fiscal, o Copom parte da hipótese de cumprimento da meta do superávit primário de 2,5% do PIB, em 2009, e de 3,3%, em 2010 - meta que, apesar de todos os artifícios para ser calculada, parece difícil de ser atingida nessa era da "nova Petrobrás". A ata, com sua discrição costumeira, reconhece que, "no médio prazo, o risco advém dos efeitos, cumulativos e defasados, da distensão das condições financeiras e do impulso fiscal sobre a evolução da demanda doméstica". Acrescenta que o balanço dessas influências será fundamental na avaliação da futura política monetária.

Com base nos resultados da sua atuação, de janeiro a julho, o Copom se mostra satisfeito e se julga capaz de reagir a qualquer nova ameaça oriunda de uma política fiscal que ele se recusa a condenar.

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