Um fim de ano menos magro para o setor de veículos

Estoques menores, produção e vendas maiores e o anúncio de novos investimentos fazem parte do cardápio de notícias positivas divulgado nos últimos dias pelo setor de veículos

O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2016 | 03h43

Estoques menores, produção e vendas maiores e o anúncio de novos investimentos fazem parte do cardápio de notícias positivas divulgado nos últimos dias pelo setor de veículos. São os sinais mais recentes de que a fase aguda da crise de montadoras e revendedoras pode estar ficando para trás. Faltando poucos dias para o fim do ano, a melhora do ambiente no setor é um fato importante também para os indicadores do setor secundário, dado o peso elevado da produção automobilística na indústria de transformação.

Entre outubro e novembro, a produção aumentou 22,4%, de 174,3 mil para 213,3 mil unidades, e as vendas cresceram 12%, de 159 mil para 178,2 mil veículos. Os estoques correspondentes a 35 dias de vendas caminham para a normalização. Duas das principais empresas do ramo anunciaram investimentos em caminhões, novos modelos e motores. Com a fraqueza do mercado interno, as fábricas tentam aumentar as exportações – que atingiram US$ 1,08 bilhão em novembro (+13,4% em relação a outubro e melhor resultado mensal deste ano).

Na comparação entre 2015 e 2016, os números são negativos. Nos últimos 12 meses, comparados aos 12 meses anteriores, os licenciamentos caíram 23,5%, de 2,71 milhões para 2,07 milhões de veículos, e a produção caiu 15,9%, de 2,49 milhões para 2,09 milhões de unidades.

É o pior resultado em dez anos, mas está afastada a hipótese de a produção anual limitar-se a 2 milhões de veículos – o mais provável é que fique próxima dos 2,15 milhões. A meta de 2,29 milhões não será atingida, segundo a associação das montadoras (Anfavea).

Foram cortadas 407 vagas em montadoras em novembro, indicador menos ruim desde junho.

Os preços altos afastam os compradores, como se vê na participação de veículos importados nas vendas, que chegou a 11,2% em novembro, menor porcentual de 2016.

Será preciso que se confirmem perspectivas melhores para a inflação, a situação fiscal, o emprego, a renda e os juros para que os consumidores tenham menos receio de adquirir bens de consumo de valor mais alto, caso de automóveis, em geral comprados a prazo.

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Editorial Econômico Anfavea

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