Um ponto contra as enchentes

Embora algumas obras importantes de sua alçada não tenham sido concluídas a tempo, o avanço conseguido pelo governo do Estado no conjunto de seu programa de combate às enchentes na capital deve compensar o atraso que se vem registrando na parte que cabe à Prefeitura na solução do problema. Isto poderá pelo menos amenizar os transtornos aos quais os paulistanos são submetidos na temporada de chuvas. A construção de seis pôlderes - drenos gigantes capazes de reduzir o alagamento das pistas da Marginal do Tietê em pontos críticos - só será concluída no segundo semestre de 2013. Mas o progresso no desassoreamento do rio e na limpeza de piscinões permitirá à cidade, segundo o governador Geraldo Alckmin, "enfrentar o verão em uma situação muito melhor" do que no ano passado.

O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2012 | 02h07

Os pôlderes aumentarão em 20% a capacidade de vazão do Tietê, de acordo com a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, o que ajudará a reduzir os casos de transbordamento nas margens do rio. Além de pequeno reservatório, cada um deles disporá de um conjunto de bombas para sugar a água das poças que se formam nas pistas e impedem ou dificultam a circulação, com reflexos em grande parte do sistema viário, tendo em vista a importância que a Marginal ocupa nele.

Eles estão sendo construídos sob as Pontes do Limão (um), da Vila Maria (dois), Vila Guilherme (um) e Aricanduva (dois). Estes são os pontos baixos da Marginal do Tietê que mais registram transbordamentos. Outro ponto crítico, na Ponte das Bandeiras, já tem um sistema de bombas de sucção. Só um dos dois pôlderes da Ponte da Vila Maria, situado no sentido da Rodovia Castelo Branco, ficará pronto em janeiro, em tempo de aliviar os transtornos da atual temporada de chuvas. A entrega dos outros cinco está prevista para setembro. O custo do conjunto será de R$ 57,7 milhões.

Duas outras obras antienchentes, de grande importância, estão em dia: a de manutenção e limpeza de 30 piscinões na região metropolitana e o desassoreamento do Tietê. Com relação a esse último: desde 2011 até agora, foram retirados 5,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos e lixo de todo tipo acumulados no leito do rio. Com isso, segundo o governador, a vazão do rio voltou a ser a mesma obtida na década passada - mil metros cúbicos por segundo -, depois da obra de rebaixamento e alargamento das suas margens.

Com a retirada de 6,8 milhões de metros cúbicos de sedimentos e detritos - entre 2002 e 2005, ao custo de R$ 1,7 bilhão -, obteve-se um aumento da vazão que permitiu reduzir sensivelmente o risco de transbordamento do Tietê e de inundação de suas margens. Infelizmente, como quase sempre acontece na administração pública, o grande avanço conseguido com essa obra custosa rapidamente se perdeu por falta de manutenção adequada. Em quatro anos, durante os quais não se retirou como se deveria o material que continuou a ser jogado no rio - apesar das reiteradas advertências dos especialistas sobre as consequências danosas disso -, desfez-se quase tudo que se havia obtido. A vazão diminuiu e o rio voltou a transbordar em vários pontos.

Em janeiro de 2011, quando lançou um programa de obras contra as enchentes, Alckmin reconheceu que aquela deve ser uma tarefa permanente: "O desassoreamento é eterno. Se passar um verão sem desassorear, acumulam-se 500 mil metros cúbicos de areia, sofá, geladeira, papel e sujeira dentro do rio". Se essa linha for seguida daqui para a frente, por ele e seus sucessores, haverá um ganho inestimável na luta contra as enchentes.

Especialistas em hidráulica e saneamento chamam a atenção para a importância do aumento da vazão do Tietê para evitar tanto quanto possível as inundações. A vazão hoje apontada como ideal já era considerada ultrapassada em 25% em 1998. Hoje ela deveria ser de cerca de 2 mil metros cúbicos por segundo, o dobro do que se acaba de conseguir.

O muito que falta fazer com relação a esse item decisivo do programa contra as enchentes mostra o longo caminho que ainda resta a percorrer.

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