Um superávit externo episódico

Com superávit de US$ 146 milhões nas contas correntes, ante um déficit de US$ 3,04 bilhões, em abril de 2008, o mês passado foi o melhor para as contas externas desde setembro de 2007. Embora abril seja exceção, os resultados de 2009 deverão ser melhores que os de 2008.Com reservas cambiais elevadas e investimentos diretos acima do esperado, o balanço de pagamentos está sofrendo pouco com a crise global.O déficit em contas correntes, a melhor medida de solvência externa, diminuiu de US$ 28,1 bilhões (1,79% do PIB), em 2008, para US$ 19,8 bilhões (1,44% do PIB) nos últimos 12 meses, até abril. Para o ano, o déficit é projetado em US$ 16 bilhões pelo governo e entre US$ 17 bilhões e US$ 20 bilhões por consultores privados.O superávit de US$ 3,7 bilhões da balança comercial foi determinante para as contas externas e não se repetirá. O Banco Central (BC) já prevê um déficit nas contas correntes de US$ 2,3 bilhões, em maio.A recessão interna desestimula as importações e os gastos com serviços, como viagens internacionais, cujo déficit diminuiu de US$ 1,43 bilhão, no primeiro quadrimestre de 2008, para US$ 877 milhões, em igual período de 2009.Os investimentos estrangeiros diretos (IEDs) atingiram US$ 3,4 bilhões, no mês passado, e US$ 8,8 bilhões, no quadrimestre. São valores inferiores aos dos mesmos períodos de 2008 (US$ 3,9 bilhões e US$ 12,7 bilhões, respectivamente). Mas, levando em conta a intensidade da recessão global, ainda podem ser considerados satisfatórios. Além do mais, o IED foi o maior, desde outubro - a indústria recebeu investimentos de US$ 2,05 bilhões. E os investimentos em ações foram de US$ 600 milhões.O balanço de pagamentos revela baixa dependência de recursos externos. Por exemplo, a taxa de rolagem dos empréstimos de médio e de longo prazos deste mês, como informou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, foi de apenas 22% até ontem (ante 87%, em abril), mas o dólar continuou a se desvalorizar. O risco País também está em queda (89 pontos a menos entre 24 de abril e 22 de maio).A partir de agora, as maiores incertezas vêm da valorização do real, que reduz a competitividade das exportações brasileiras e pode induzir a um aumento das importações. O câmbio já está estimulando as remessas de renda para o exterior, que chegaram a US$ 2,3 bilhões, neste mês, ante US$ 1,7 bilhão, no mês passado.

, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

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