Uma operação que indica a volta do País ao mercado externo

A Petrobrás iniciou o ano com a captação de US$ 4 bilhões numa operação que tem significado importante para a empresa e para a economia do País

O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2017 | 03h13

A Petrobrás iniciou o ano com a captação de US$ 4 bilhões numa operação que tem significado importante para a empresa e para a economia do País. O vulto e as condições da emissão mostram que a empresa vem recuperando a imagem de que desfrutava no exterior antes das denúncias de escândalos no âmbito da Operação Lava Jato e também que este poderá ser um ano bem melhor do que os dois anteriores para as empresas brasileiras interessadas em realizar operações semelhantes.

A Petrobrás pretendia captar US$ 2 bilhões, mas, diante do custo inferior ao que estimara, ampliou a operação para US$ 4 bilhões. A taxa esperada era de 6,5% para o bônus de cinco anos e de 7,75% para o de dez anos. Mas, por causa da alta demanda, as operações foram concluídas com custo de 6,125% e 7,375%. Em 2015, por causa da instabilidade política do País e do acúmulo de denúncias de corrupção na empresa, o custo foi de 8,45%.

Apesar do êxito da operação, a Petrobrás está longe de resolver seus problemas decorrentes do controle político-partidário de suas operações pelo governo do PT e do desvio bilionário de seus recursos para cofres de partidos políticos e bolsos de políticos, executivos de empresas privadas e funcionários públicos.

A nova direção da empresa fez uma rigorosa revisão de seus programas de investimentos, adotou medidas internas de controle para afastar o risco de formação de novo esquema de banditismo como o que dilapidou suas finanças na era petista e colocou ativos à venda para, com os recursos obtidos, reduzir a dívida. O esforço vem sendo reconhecido pelos investidores no mercado de ações e também pelos grandes operadores do mercado internacional.

Isso é positivo para outras empresas brasileiras que buscam o mercado internacional. Depois dos resultados decepcionantes de 2015, causados pelo agravamento da crise política que levaria ao afastamento definitivo de Dilma Rousseff da Presidência da República, as empresas brasileiras conseguiram captar US$ 20,25 bilhões no ano passado, quase o triplo do que obtiveram no ano anterior. Neste ano, prevê-se que o total ultrapassará US$ 25 bilhões.

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