Uma revisão da política monetária na ordem do dia

Ao analisar a economia brasileira, o Fundo Monetário Internacional considerou que a taxa de juro, muito elevada em nosso país, está contribuindo para aumentar o déficit público em razão do custo da dívida pública mobiliária.

, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2010 | 00h00

E, de fato, os títulos da dívida mobiliária prefixados pagam a taxa Selic, hoje em 10,75%, com uma inflação em torno de 5%, fato que deve levar o próximo governo a rever a política monetária, excessivamente ortodoxa, segundo alguns observadores.

Entre os fatores que prejudicariam a capacidade de concorrência dos bens produzidos no Brasil, assinala-se a elevada taxa de juros reais, que se acrescenta a uma carga fiscal das mais pesadas.

Trata-se de um problema que o futuro governo terá de enfrentar, embora se reconheça que a política austera do Banco Central teve papel determinante no fato de que o Brasil foi um dos países que menos sofreram com a crise mundial.

A impressão que se tem é de que as autoridades monetárias sofrem com a herança que a hiperinflação deixou no Brasil, embora naquele período a economia tivesse uma taxa de juros negativa. Uma outra justificativa para manter a taxa Selic muito acima da inflação é que também herdamos do período anterior um apego à indexação, que representa um verdadeiro veneno para a nossa economia.

As autoridades monetárias, ao introduzir a noção de taxa de juro de equilíbrio, abriram as portas para uma revisão da política monetária e para ajudar o governo a apresentar um déficit nominal menor, reduzindo o peso dos juros neste resultado.

No entanto, trata-se de uma revisão que deve ser conduzida com grande cautela em razão das consequências que pode ter sobre a economia. A primeira medida a tomar seria no sentido de reduzir a meta de inflação, hoje uma das mais altas entre os países que adotaram uma política monetária em função de metas.

A economia brasileira tem mostrado grande sensibilidade para a redução do custo do dinheiro, o que poderia levar a uma alta do consumo incompatível com uma resposta da oferta. Uma regulamentação mais restritiva do crédito para o consumidor poderia, então, representar um contrapeso capaz de evitar esse efeito. De outro lado, a redução dos juros daria um novo impulso na atividade das pessoas jurídicas.

Mas a redução da taxa de juros não deveria se constituir numa oportunidade para o governo aumentar seu endividamento. Não há dúvida, no entanto, de que teria um efeito importante para os negócios em geral.

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