Vendas de veículos indicam refluxo da fase de euforia

O balanço de setembro, divulgado quinta-feira pela associação das montadoras (Anfavea), mostrou uma queda da produção de veículos, acompanhada da acomodação das vendas em relação a agosto. Houve diminuição, não admitida pelos produtores, do ritmo eufórico de crescimento, mas que também aparece no segmento de importados e de máquinas agrícolas - os líderes das vendas.

, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2010 | 00h00

A produção de autoveículos diminuiu de 338,9 mil unidades, em agosto, para 308,1 mil, em setembro (-9,1%), mas ainda foi 12,7% maior que a de setembro de 2009. Já as vendas mostraram declínio tanto em relação a agosto (-1,8%) quanto em relação a setembro de 2009 (-0,5%).

Na comparação entre períodos mais longos, a produção de autoveículos dos primeiros nove meses do ano ainda é superior em 17,3% à de idêntico período de 2009. E, nos últimos 12 meses, ela aumentou 23,1% comparativamente aos 12 meses precedentes, mas neste caso os dados podem estar distorcidos, pois incluem um período recessivo, entre o final de 2008 e o início de 2009. A projeção da Anfavea, de um crescimento de 13% entre 2009 e 2010, parece ser um tanto elevada.

As vendas de veículos novos importados foram semelhantes nos últimos dois meses (57,3 mil e 57,5 mil, respectivamente), mas o ritmo de crescimento em relação a 2009 caiu de 52,8%, em agosto, para 24,7%, em setembro.

As exportações se recuperam e as projeções para 2010 aumentaram de 620 mil para 750 mil unidades, mas se trata de operações interfábricas, que não parecem suficientes para compensar o ritmo menor do mercado interno. Aparentemente, o otimismo se baseia em aspectos conhecidos: crédito fácil, aumento da renda pessoal e do emprego e pesquisas como a do Ibope sobre o estrato médio da população, segundo a qual 9,5 milhões de consumidores da classe C pretendem comprar um veículo, novo ou usado, nos próximos 12 meses. É um número cerca de três vezes o do mercado anual de veículos novos nacionais, cabendo indagar se o otimismo desbragado continuará presente na hora da aquisição do veículo.

Outras pesquisas, como o Índice de Confiança de Serviços (ICS) da FGV, também sugerem que o auge do otimismo quanto ao ambiente de negócios começa a refluir. É cedo para assegurar que há acomodação no mercado automobilístico, mas os indícios serão mais fortes com a queda do crescimento do PIB, em 2011, ou se o governo elevar impostos para cobrir os gastos excessivos de 2010.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.