Vendas em alta

São fortes os sinais de recuperação da indústria automobilística. Pelo segundo mês consecutivo crescem as vendas de veículos no mercado interno e, para alguns tipos, os dados já são melhores do que os de igual período de 2008, um ano de recordes para o setor.Na primeira quinzena de fevereiro, foram vendidas 182,5 mil unidades, 8,35% mais do que na primeira metade de janeiro, quando as vendas começaram a reagir (foram 1,2% maiores do que as de dezembro). As vendas haviam despencado em novembro (menos 20,2% sobre outubro) e encolheram mais em dezembro (redução de 1,2%), mas voltaram a crescer depressa. Se considerados apenas os automóveis, os veículos comerciais leves, caminhões e ônibus, as vendas cresceram 16,1% em relação a janeiro e 6,5% em relação a igual período de 2008.Os dados da primeira quinzena de fevereiro referem-se ao comércio e foram compilados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Seus efeitos já chegam à indústria. Com a recuperação das vendas, vão se esvaziando os pátios onde estão estocados os veículos à espera de comprador. Em dezembro, o estoque era de 303 mil veículos. Em 31 de janeiro, tinha caído para 193 mil. Deve ter diminuído ainda mais com o forte aumento das vendas em fevereiro, que não foi, ainda, acompanhado pelo aumento do ritmo de trabalho nas linhas de montagem.Algumas montadoras, por isso, começam a rever os programas de ajuste de pessoal que adotaram quando foram duramente atingidas pela crise. Como as vendas despencaram num momento em que as máquinas operavam a um ritmo muito intenso, mas a recuperação parece ser rápida, certas medidas mostraram-se exageradas. Agora, começa-se a corrigir o excesso de rigor das medidas adotadas no auge da crise.Como já prevê o aumento da produção dos atuais 380 veículos por dia para 540 unidades, a Renault, instalada em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná, está convocando 500 empregados que estavam com o contrato de trabalho suspenso até maio. Esses empregados, afastados no início de janeiro, terão direito a seguro-desemprego referente ao período de afastamento e, retomado o contrato, voltarão a receber salários regulares, a recolher a contribuição previdenciária e a ter depositadas na conta específica as parcelas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A expectativa dos dirigentes sindicais de São José dos Pinhais é a de que a medida se estenda a mais 500 trabalhadores da empresa que tiveram suspenso o contrato de trabalho.Em Minas Gerais, a Fiat e 14 empresas fornecedoras de autopeças assinaram com o Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas, municípios da região metropolitana de Belo Horizonte, acordo de manutenção de 40 mil empregos pelo menos até o dia 10 de março. As duas partes acompanharão a evolução do mercado durante a vigência do acordo e contam com a prorrogação, pelo governo, da redução das alíquotas do IPI incidentes sobre a venda de veículos. "Esperamos que a redução seja renovada por mais três meses com a contrapartida da manutenção dos níveis de emprego", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Marcelino da Rocha.Mas outras montadoras continuam a agir com cautela e até iniciam novos programas de ajuste de pessoal. A Mercedes-Benz, a maior fabricante de caminhões e ônibus do País, por exemplo, anunciou um plano de demissão voluntária para empregados de sua fábrica em São Bernardo do Campo que já recebem aposentadoria pelo INSS, mas continuam trabalhando. O sindicato local calcula que há mil trabalhadores em condições de aderir a esse plano. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, de sua parte, tem em vigor 24 acordos de redução de jornada de trabalho e de salários, envolvendo 16,3 mil trabalhadores, boa parte dos quais empregada no setor automobilístico.Mesmo assim, o quadro da indústria automobilística no Brasil é muito melhor do que o que se observa nos países industrializados, onde as grandes montadoras ou anunciam drásticas reduções da produção, como acaba de fazer a Toyota, ou buscam meios para sobreviver à crise, como a General Motors e a Chrysler.

, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.