A busca por soluções reais

Fiesp e Febraban vão discutir as causas estruturais dos juros tão altos e buscar meios para reduzi-los

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2022 | 03h00

A extensão da crise e seu agravamento depois que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo estão promovendo mudanças nas percepções de dirigentes empresariais atentos às transformações pelas quais passa a economia mundial. A obsessão em apontar culpados pelo atraso a que a economia brasileira parece condenada pela falta de ações adequadas para superá-lo vai sendo substituída por iniciativas que buscam soluções. Elas exigem entendimentos multissetoriais e, inevitavelmente, participação do setor público.

A criação de um grupo de trabalho pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para avaliar as causas do nível tão alto dos juros praticados no Brasil e propor medidas estruturais para reduzi-los de modo sustentável é o exemplo mais recente dessa nova maneira do empresariado de enfrentar os problemas reais. Começa-se, assim, a percorrer um bom caminho, embora seu destino ainda seja incerto.

Não faz muito tempo, qualquer iniciativa no sentido de ampliar ou apenas abrir a competição era apontada como instrumento para destruir a empresa nacional. Corte de subsídios ineficazes e injustos era denunciado pelos até então beneficiários como tentativa de sufocá-los. Qualquer mudança para cima na trajetória dos juros era chamada de ameaça ao crescimento e à higidez das finanças das empresas. Cacoetes como esses ainda estão presentes em certas mentalidades do mundo empresarial, mas não parecem mais predominantes.

Novas exigências impostas pelos cidadãos em todo o mundo estão mudando a agenda das empresas. Sustentabilidade tornou-se compromisso inescapável das empresas de todos os portes em praticamente todo o mundo. No Brasil, diante da insistência com que o presidente Jair Bolsonaro vem ameaçando as instituições, a defesa do Estado Democrático de Direito e da lisura do processo eleitoral também passou a fazer parte das preocupações de entidades empresariais.

Fiesp e Febraban – embora esta sofresse forte pressão do governo Bolsonaro, pois duas das instituições a ela filiadas são controladas pelo Tesouro Nacional – estiveram juntas no apoio a um documento assinado por mais de 240 entidades empresariais que, em setembro do ano passado, manifestavam preocupação com o aumento da tensão entre os Poderes da República e pediam serenidade, pacificação política e foco nos graves problemas do País, especialmente a pandemia.

Agora, ambas buscam caminhos que propiciem a queda estrutural dos juros. De um lado, está o representante de grandes tomadores de empréstimo, a Fiesp; de outro, o representante dos que concedem empréstimos e cobram os juros, a Febraban.

“Precisamos parar de criticar e passar a agir, atacando efetivamente as causas”, disse o presidente da Febraban, Isaac Sidney. “Os altos juros cobrados no Brasil são um problema estrutural que precisa ser encarado de frente e logo”, completou o presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva.

O documento final que resultar desse entendimento será encaminhado ao governo e ao Congresso.

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