A economia reage

Sinais positivos começam a aparecer na economia, mas o ambiente continua marcado pelo mau desempenho da maior parte do setor industrial e pela desocupação ainda muito alta

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2019 | 03h00

Sinais positivos começam a aparecer na economia, com a reanimação da indústria imobiliária, juros menores e a expectativa de mais consumo e mais contratações no comércio para as vendas de fim de ano, mas o ambiente continua marcado pelo mau desempenho da maior parte do setor industrial e pela desocupação ainda muito alta. O maior vigor da construção é especialmente importante por seu potencial de emprego e por sua irradiação de estímulos a vários outros segmentos, como a siderurgia, as indústrias de cimento e de plásticos e as fábricas de materiais hidráulicos e elétricos para obras civis. Desde julho, seis construtoras e incorporadoras captaram R$ 3,8 bilhões no mercado acionário e estão previstos lançamentos de ações de outras empresas, segundo informou reportagem do Estado na edição de domingo.

A construção civil, um dos últimos segmentos empresariais a se recuperar da recessão, voltou a mostrar vitalidade neste ano. Nos 12 meses até setembro foram vendidas na cidade de São Paulo 42.351 residências, número 46,6% maior que o do período imediatamente anterior, segundo o Secovi, o sindicato da habitação. As 4.055 unidades comercializadas em setembro superaram por 108,7% o total vendido em igual mês do ano passado.

A retomada da construção, no entanto, está concentrada em São Paulo. Além disso, uma recuperação mais firme do setor dependerá de investimentos em infraestrutura, como observou a economista Ana Maria Castelo, da Fundação Getúlio Vargas, citada na reportagem de domingo. De toda forma, foi dado um primeiro impulso à construção.

Vendas de fim de ano mais animadas que as de 2018 estão nas apostas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo as últimas projeções, as vendas de Natal devem ser 4,8% maiores que as de 2018. Inflação baixa, prazos maiores de financiamento e medidas de estímulo ao consumo devem favorecer as vendas e incentivar o maior número de contratações temporárias desde 2013, de acordo com os economistas da confederação.

Eles demonstram otimismo quanto aos efeitos da liberação, iniciada em setembro, de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS-Pasep.

Um dos efeitos, afirmam, deverá ser a contratação temporária de 91 mil trabalhadores, contingente 4% maior que o do ano anterior. Até o início da recessão, lembram os analistas da CNC, mais de 20% das vagas eram ocupadas até outubro e as contratações terminavam no mês seguinte. Nos últimos três anos, 15% das vagas, no máximo, têm sido preenchidas naquele período.

Também economistas do setor financeiro e das principais consultorias têm elevado suas projeções para o crescimento econômico deste ano. O crescimento estimado subiu de 0,87% há quatro semanas para 0,91% e depois para 0,92%, número registrado no boletim Focus divulgado ontem pelo Banco Central (BC).

Mas a melhora de expectativa quanto ao crescimento econômico ficou por aí. Para 2020 foi mantida a projeção de 2%, em linha com as perspectivas afirmadas pelo próprio governo. Para 2021 e 2022 foi mantida a estimativa de expansão anual de 2,50%, considerada compatível com o potencial de crescimento do Brasil.

Não se incluem nas previsões, portanto, expectativas quanto à elevação do potencial produtivo do País. Os analistas do mercado continuam – como seus parceiros das instituições multilaterais – à espera de novos avanços no programa de ajustes e reformas e de reativação dos investimentos em infraestrutura.

A contribuição da maior parte da indústria para a dinamização da economia deve continuar muito pobre, segundo as previsões. A produção industrial cresceu 0,3% de agosto para setembro, mas o resultado acumulado no ano foi 1,4% inferior ao dos nove meses correspondentes de 2018. Segundo o mercado, o produto industrial deve ser neste ano 0,73% menor que no ano passado. Para 2020 a projeção recuou de 2,10% para 2,06%. Falta alguma coisa para o modesto otimismo observado em alguns setores virar uma epidemia.

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