A função do lucro da Petrobras

Demonizado por Bolsonaro e Lula, lucro da empresa irriga o cofre da União; eis a função social da estatal

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2022 | 03h00

O lucro de R$ 106,6 bilhões alcançado pela Petrobras em 2021, o maior de sua história, é resultado da combinação de gestão empresarial e circunstâncias internacionais e locais muito favoráveis. Haverá, decerto, quem, como têm feito o presidente Jair Bolsonaro e o petista Lula da Silva, acuse a empresa de lucrar muito, sem que sua administração demonstre “viés social”. Mas essa questão já foi superada com a resposta do presidente da empresa, general da reserva Joaquim Silva e Luna – escolhido pessoalmente por Bolsonaro –, que definiu seu papel à frente da Petrobras como o de assegurar que ela alcance os melhores resultados para seus acionistas, o maior dos quais é a própria União, e para a economia brasileira; já política social, propriamente dita, é tarefa do governo.

A adoção, em 2016, de métodos gerenciais voltados para a busca de eficiência, redução da dívida, venda de ativos não mais considerados estratégicos – entre os quais refinarias – e concentração em atividades típicas, como exploração e produção de petróleo, já vinha assegurando resultados crescentes à Petrobras. A alta do petróleo no ano passado – que o conflito na Ucrânia acentuou nos últimos dias – se somou a medidas de gestão, numa combinação muito favorável para a empresa.

A cotação do petróleo de tipo Brent, combinada com a alta do dólar, resultou no aumento de 77% no preço do barril em reais no ano passado. É aí – e não na alegada ganância da Petrobras ou na insensibilidade de seus dirigentes nem na incidência de tributos – que está a fonte do extraordinário aumento da gasolina.

Os resultados operacionais e financeiros de 2021 mostram a recuperação da Petrobras, cujo uso populista pelos governos lulopetistas havia lhe imposto pesadas perdas e aumento exponencial da dívida. É com resultados como os que vem apresentando que a empresa pode desempenhar seu papel social, disse, corretamente, o presidente da Petrobras. Sendo “forte e saudável”, ela é “capaz de crescer, investir, gerar empregos, pagar tributos, retornar dividendos aos acionistas, incluindo a União, e contribuir efetivamente para o desenvolvimento do País”, completou Silva e Luna.

Entre tributos e dividendos, a Petrobras repassou cerca de R$ 230 bilhões no ano passado. Com os resultados consolidados de 2021, a empresa vai distribuir R$ 101,4 bilhões em dividendos; desse valor, a maior acionista da companhia, a União, receberá R$ 38,1 bilhões. É dinheiro que engorda o caixa do Tesouro Nacional. Se bem aplicado – o que não é nada garantido neste governo marcado por incompetência e incapacidade de planejar, além de má gestão dos recursos financeiros –, poderia sustentar políticas públicas muito importantes, inclusive na área social.

Do ponto de vista econômico-financeiro, outro resultado expressivo da Petrobras foi o aumento de sua capacidade de geração de receita combinada com a redução expressiva da dívida. No ano passado, a relação entre a dívida e o indicador que mede a geração de lucros antes dos impostos e da depreciação (conhecido como Ebtida) ficou em 1,1. No final da gestão lulopetista, era superior a 3.

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