A importância do SUS

Cerca de 64% da população depende exclusivamente do atendimento pelo SUS

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2020 | 03h00

A emergência sanitária provocada pela pandemia de covid-19 tornou ainda mais evidente a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) para a preservação da qualidade de vida e da própria vida de milhões de brasileiros. Quase dois anos antes do surgimento no País dos primeiros casos de infecção pela covid-19, mais de 133 milhões de pessoas não tinham nenhum integrante da família com algum plano de saúde. Essas pessoas dependiam exclusivamente do atendimento pelo SUS. O número corresponde a praticamente 64% da população estimada em 2018, de 208,5 milhões de habitantes. Os dados fazem parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018 – Perfil das Despesas no Brasil que acaba de ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A POF, como é conhecida a pesquisa, contém dados importantes sobre as condições de vida da população. Ela descreve como as diferentes despesas das famílias pesam na composição do orçamento doméstico. O peso de cada item de gasto nas despesas gerais das famílias de acordo com suas classes de renda é utilizado na composição dos principais índices de inflação calculados pelo IBGE, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da variação dos preços no País e baliza da política de metas inflacionárias do Banco Central. Os resultados da POF são utilizados também na montagem e execução de diferentes políticas públicas, sobretudo na área social.

Num ano definitiva e dramaticamente marcado pela crise de saúde, que afetou a vida das pessoas e fez despencar a atividade econômica, os dados sobre a relevância do papel que, há tempos, o SUS vem desempenhando no atendimento de milhões de pessoas são de grande relevância. “Esse dado (sobre o número de brasileiros que dependem exclusivamente do sistema público de saúde) já nos dá um panorama da importância do SUS para as famílias”, destaca o estudo do IBGE.

Se essas pessoas tivessem de arcar com gastos com planos de saúde ou com tratamento médico privado, haveria “efeitos perversos na estrutura de gastos das famílias, ou seja, mudança de alocações orçamentárias para garantir o acesso à saúde privada, diminuindo a demanda por outros bens e serviços”.

Além de reafirmar, com dados expressivos, o papel do SUS mesmo antes da pandemia, que o acentuou, a POF contém outras informações relevantes sobre a renda e as condições de vida dos brasileiros.

Na estrutura orçamentária das famílias brasileiras, a habitação responde pela maior parcela dos gastos de consumo. Seguem-se transporte e alimentação. Parte dos brasileiros tem gastos muito altos com moradia. Para 1,7% das pessoas, o custo do aluguel passava de um terço da renda familiar disponível, o que o estudo do IBGE considera “ônus excessivo”.

Embora se gaste boa parte do orçamento doméstico com habitação, ainda há milhões de brasileiros que moram em condições inadequadas. Segundo a POF, 23,5% da população não vive em moradia plenamente adequada. São cerca de 50 milhões de pessoas nessa condição.

O IBGE considera inadequado o domicílio que tenha pelo menos uma das características como parede sem revestimento; madeira aproveitada ou outro material; telha sem laje; piso de cimento, terra ou outro material; e domicílio sem banheiro exclusivo. Se a classificação de habitação inadequada incluísse falta de serviços de saneamento básico, como coleta e tratamento de esgotos, o porcentual seria bem maior.

Nem quem vive em habitações de melhor qualidade tem mais segurança. Segundo o IBGE, 79 milhões de pessoas vivem em domicílios em regiões afetadas por violência ou vandalismo.

Quanto à renda, a POF constatou que cerca de 30% da população com menor rendimento no País vivia com menos do que considerava necessário para chegar ao fim do mês. Já a renda mínima declarada pelos 10% com os maiores rendimentos era 8,5 vezes maior do que a dos 10% com menores rendimentos.

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