A inovação desejada, mas ainda distante

Indústrias inovaram na pandemia, mas nem todas fazem isso com regularidade

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2021 | 03h00

A inovação, essencial para assegurar a modernização e a competitividade da economia, parece ter alcançado alto grau de prestígio entre os empresários do setor industrial, onde se tornou vital. Nove entre dez indústrias grandes e médias do País informaram ter adotado algum método, processo, tecnologia, equipamento ou produto com características inovadoras em 2020 e 2021. E conseguiram ganhos de produtividade, melhoraram sua competitividade e obtiveram bons resultados financeiros. Dos dirigentes das indústrias, 84% afirmam que precisarão investir em inovação para crescer ou até mesmo para se manter no mercado. E pretendem, com isso, alcançar melhorias na relação com o consumidor, em processo e na produção.

Estes são alguns dos muitos resultados animadores de uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o tema. Alguns outros o complementam. Das empresas que disseram ter inovado no período da pandemia, apenas 1% não viu melhora nos resultados. E, do total pesquisado, apenas 13% dos executivos disseram que suas empresas não inovaram depois da detecção da presença da covid-19 no País.

Os números sugerem grande atenção do empresariado para a necessidade, até urgente em boa parte dos casos, de melhora de processos gerenciais e produtivos, adequação da linha de produtos a novas demandas, relacionamento com clientes e fornecedores, entre outros itens.

Talvez a realidade não seja tão colorida. A pandemia, entre outros efeitos, acabou exigindo respostas que o setor produtivo encontrou por meio da inovação. Tratou-se, em boa parte dos casos, não de uma resposta estrutural das empresas, mas de necessidade de sobrevivência num período tempestuoso.

A mesma pesquisa que mostrou forte preocupação do empresariado com a inovação revelou também que metade das empresas não tem um setor específico para cuidar do tema. Pior, 63% delas não têm orçamento reservado para inovação e 65% não contam com profissionais dedicados exclusivamente ao assunto.

A situação não é nova. O atraso da indústria manufatureira brasileira na busca de modernização que lhe garanta produtividade e competitividade estava visível na perda de espaço do produto nacional tanto no mercado internacional como no doméstico. Esse atraso tende a se acentuar no momento em que a indústria mundial adota novos procedimentos em automação em grande escala, inteligência artificial e outros avanços tecnológicos que fazem parte da chamada indústria 4.0.

Não à toa, embora esteja entre as 20 maiores economias do mundo, o Brasil ocupa apenas a 57.ª posição entre 132 países no Índice Global de Inovação elaborado anualmente pela Organização Mundial de Propriedade Industrial (Ompi). A indústria brasileira estagnou e não parece ter forças para se recuperar.

As causas são conhecidas: faltam investimentos e há dificuldades administrativas e tributárias para operações empresariais, entre outros problemas. O brutal corte, pelo governo Bolsonaro, de recursos para ciência e pesquisa só piora o que já está ruim.

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