A qualidade dos parques paulistanos

É importante estimular a participação da sociedade na avaliação dos parques

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2020 | 03h00

A cidade de São Paulo deu um passo significativo rumo à melhor qualificação de seus parques por meio da participação dos cidadãos na elaboração de políticas públicas. Na verdade, dois. O primeiro foi o lançamento de um relatório anual sobre as condições dos parques. O segundo é um aplicativo que permitirá aos usuários fazer suas próprias avaliações e sugestões. Juntas, as duas iniciativas compõem o Indicador de Parques Urbanos, uma parceria entre a Prefeitura e a Fundação Aron Birmann.

O estudo avalia, com notas de 0 a 5, 21 categorias compreendidas em quatro áreas: infraestrutura; manutenção; segurança e serviços de gestão; e lazer e cultura. Em 2019, foram avaliados 77 parques. Em primeiro lugar ficou o Ibirapuera, com 4,49 pontos. O dado é positivo, porque é justamente o parque com o maior patrimônio cultural e o com o maior fluxo da cidade, e mereceu destaque pelas boas condições de seus equipamentos e instalações. A exceção foi o estado dos lagos, com pouca oxigenação, o que prejudica a fauna local. Já o último colocado, o Parque Juliana Carvalho Torres, na Cohab Raposo Tavares, recebeu 1,63 pontos, por causa da precariedade de itens básicos, como bebedouros e lixeiras – constantemente alvos de vandalismo –, e da falta de funcionários.

Entre um e outro extremo, é grande a diferença da qualidade dos parques. Em termos de infraestrutura, o estudo constata que em geral os parques são alimentados por algum tipo de transporte público, mas a maioria ainda não é contemplada por estruturas mínimas para ciclistas, e as condições de acessibilidade a pedestres, em especial aos deficientes, em geral são ruins. A precariedade na oferta de sanitários, bebedouros e bancos é generalizada. Na maioria há playgrounds e equipamentos de ginástica. No entanto, é comum vê-los degradados.

Numa metrópole como São Paulo, os parques são para muitas regiões a única opção de cultura e lazer. O estudo constata que há uma variedade razoável de ofertas, desde shows e festivais a oficinas e atividades físicas, e destaca o trabalho dos gestores na promoção de programações diversificadas. Nota-se contudo que a divulgação frequentemente não atinge seu público-alvo. É um problema relativamente fácil de enfrentar com as redes digitais e solucioná-lo é importante para fortalecer a convivência e a interação criativa entre as pessoas das comunidades locais, mobilizando também ações voluntárias, para as quais os parques são um palco de excelência.

A nota média dos parques paulistanos foi regular: 3,07. Apenas sete foram classificados como ótimos. As melhores avaliações concentram-se na zona sul, seguida da centro-oeste, norte e por último a zona leste.

Uma ferramenta importante para aprimorar os parques será o aplicativo gratuito lançado junto com o estudo. “A ideia é justamente dar voz aos visitantes para que façam suas críticas, apresentem suas sugestões e sejam ativos para a transformação destes ambientes”, disse Rafael Birmann, presidente da Fundação Aron Birmann. É um exemplo de como a tecnologia pode traduzir as preferências dos cidadãos em políticas públicas. Se bem-sucedida, a experiência pode servir de modelo não só às unidades de gestão de parques de outras cidades, mas a outras áreas da administração urbana, como mobilidade, assistência social e segurança.

São Paulo tem uma agenda extensa e intensa em relação aos seus parques, que inclui, além da qualificação das unidades existentes, a criação de 100 novos parques até 2030, conforme o Plano Diretor; uma melhor distribuição das áreas verdes; o avanço dos programas de concessões e parcerias público-privadas; e a reconfiguração dos parques naturais e unidades de conservação.

Estimular ao máximo a participação da sociedade civil nesse processo é o melhor modo de torná-lo orgânico e eficiente. Para tanto, o Indicador de Parques pode ser uma ferramenta extremamente útil.

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