A realidade e o discurso antivacina

A imensa maioria dos pais no Estado de São Paulo manifestou a intenção de vacinar os seus filhos contra a covid-19

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2022 | 03h00

Em poucos dias, o País deverá atingir a marca de 70% da população totalmente imunizada contra a covid-19, ou seja, que já recebeu as duas doses da vacina ou a dose única. O porcentual de brasileiros vacinados dará um salto ainda mais rápido quando começar a imunização das crianças de 5 a 11 anos, autorizada pela Anvisa em meados do mês passado. Isso, claro, se o governo federal não sacar de sua sacola de malvadezas mais uma artimanha para retardar ainda mais a vacinação dos menores nessa faixa etária. De acordo com o IBGE, esse segmento populacional corresponde a 20,5 milhões de pessoas.

No que depender da esmagadora maioria de pais ou responsáveis, ao menos no Estado de São Paulo, as crianças serão vacinadas tão logo seja possível. Uma pesquisa realizada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), vinculada ao governo estadual, revelou que 80% dos pais ou responsáveis em São Paulo querem vacinar seus filhos contra a covid-19. Não há dados disponíveis sobre o porcentual de adesão à vacinação infantil, mas é razoável inferir que não seja muito distante do que foi aferido em São Paulo. A cultura vacinal dos brasileiros é uma espécie de patrimônio imaterial do País.

Na Região Metropolitana de São Paulo, o porcentual de confiança na vacinação das crianças como forma de proteger os menores contra a covid-19 – e evitar que eles transmitam o vírus para indivíduos mais vulneráveis – é ainda maior: 87% dos entrevistados pela Seade disseram que vão vacinar seus filhos quando as vacinas para eles chegarem aos postos de saúde. Entre pais cujos filhos estudam em escolas públicas, a aprovação da vacinação infantil chega a 91%.

O resultado não haveria de ser outro. A adesão dos adultos à vacinação contra o coronavírus, em clara oposição ao discurso antivacina liderado por ninguém menos do que o presidente Jair Bolsonaro, já é muito alta. Os que foram totalmente imunizados sabem que as reações físicas às vacinas, por mais desconfortáveis que sejam, são previstas pela literatura médica e duram poucos dias. Quando expostos ao vírus, ou mesmo quando eventualmente contaminados, os adultos vacinados sabem que o imunizante os protegeu contra a forma mais grave da covid-19, prevenindo internações e mortes na imensa maioria dos casos. Mesmo diante do espalhamento descontrolado da variante Ômicron, mais contagiosa do que outras cepas do coronavírus. Por que não seria assim com as crianças? O mundo real se sobrepõe às narrativas eleitoreiras.

Enquanto isso, na Europa, governos têm cedido à pressão dos vacinados e adotado medidas cada vez mais duras para restringir a circulação dos que optaram por não tomar a vacina. Na Alemanha, na França e na Itália a vida dos não vacinados está cada vez mais restrita. Em entrevista ao jornal Le Parisien, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse estar “empenhado em irritar os não vacinados”.

No mundo inteiro, não são poucos os que estão esgotados após dois anos de privações. Custa crer que, após tanto tempo e tanta dor, ainda haja quem recuse o meio mais seguro para dar fim à pandemia: a vacinação.

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