A responsabilidade dos eleitos

A população espera um Legislativo a serviço do Brasil

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2019 | 04h00

Eleita com mais de 2 milhões de votos, a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) fez um alerta sobre a responsabilidade dos parlamentares que ingressam na legislatura deste ano. "Esse momento político é muito determinante para o País. Se esse pessoal que entrou – todos nós – não mostrar diferença, não mostrar o comprometimento com as coisas positivas, com o futuro do País, o resultado catastrófico que isso pode ter é muito grande", disse Janaina em entrevista ao Estado.

De fato, o resultado das eleições do ano passado mostrou um grande desejo de mudança por parte da população. A significativa renovação do Legislativo indicou que o eleitor deseja novas e austeras práticas políticas. Seria uma grande frustração que os novos ocupantes das cadeiras do Parlamento mantivessem os mesmos usos e costumes alheios à moralidade pública.

Ao comentar as suspeitas envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Janaina Paschoal reconheceu que o filho do presidente Jair Bolsonaro "tem todo o direito à defesa, a entrar com todas as medidas, mas me parece complicado ver uma reação parecida com a que foi a do Aécio e com a que é a do Lula até hoje". Afinal, esse tipo de reação – que, em vez de esclarecer eventuais fatos suspeitos, simplesmente atribui sua origem à perseguição política – foi rejeitado nas urnas pela população.

Questionada sobre o comportamento de alguns parlamentares recém-eleitos, inclusive de seu partido, o PSL, a deputada estadual Janaina Paschoal disse estar preocupada. "Tenho a impressão de que ainda não perceberam a seriedade do que é exercer um cargo, a seriedade do momento que a gente está atravessando, a expectativa que o País colocou em cima dessas pessoas. Não foi uma eleição como outra qualquer. Foi uma eleição que veio depois de um sofrimento", disse a deputada.

A campanha eleitoral de 2018 foi marcada por muitas promessas de mudança da atividade política – e com razão o eleitor espera dos políticos eleitos um firme compromisso "com as coisas positivas, com o futuro do País", como lembrou Janaina Paschoal.

Ao mesmo tempo que deve ser expressão de profunda lealdade com as propostas da campanha eleitoral, o exercício responsável do mandato parlamentar implica descer do palanque. Ou seja, os eleitos devem ir além dos discursos e dos slogans eleitorais. "Estou observando muitas pessoas eleitas que não estão conseguindo fazer a transição entre o ativismo e o cargo, qualquer que seja ele", reclamou Janaina Paschoal.

De fato, se o ativismo nas redes sociais foi capaz de dar a vários candidatos votos suficientes para serem eleitos, apenas esse mesmo ativismo é incapaz de transformar promessas de campanha em realidade. O mandato exige, além do comportamento responsável e austero, grande capacidade de articulação, pois cada parlamentar que assume o cargo torna-se, com seus companheiros de partido, programas e ideias, responsável pelo futuro do País. Por isso, faz parte do dever do cargo viabilizar, por exemplo, as reformas estruturantes tão necessárias para o desenvolvimento do País. O ocupante do cargo político, por força de suas atribuições constitucionais, deve ampliar seu campo de visão, o que é também caminho para superar polarizações e antagonismos estéreis.

A renovação do Congresso abre muitas possibilidades para o País. Além de implantar uma nova cultura política, centrada no interesse público e que não transforma o exercício parlamentar num balcão de negócios, a nova composição do Legislativo pode destravar importantes reformas que há muito estão irresponsavelmente paralisadas. É tempo para fixar um novo patamar de funcionalidade do Congresso.

Um Legislativo a serviço do Brasil é o que espera a população. Para que esse anseio não seja frustrado, cada parlamentar deve assumir o cargo com responsabilidade, ciente do enorme poder e da imensa responsabilidade que foram depositados em suas mãos.

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