A segurança vem do campo

Safra de grãos deve crescer, apesar da estiagem, e garantir a receita de dólares necessária à segurança do setor externo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2022 | 03h00

Enquanto a indústria derrapa, a agricultura avança na produção, permanecendo como suporte mais firme da economia nacional e principal garantia contra crises cambiais. Com exportações de US$ 10,51 bilhões em fevereiro, o agronegócio bateu um recorde para o mês e proporcionou 45,9% da receita comercial do País. Um ano antes havia contribuído com 38,7%. O valor faturado com as vendas externas, 65,8% maior que o de fevereiro de 2021, resultou tanto do aumento do preço médio dos produtos vendidos (+24,0%) quanto do crescimento do volume embarcado (+33,7%). Como grande produtor agropecuário, o Brasil se beneficia, comercialmente, da alta das cotações no mercado internacional. Essa alta resultou inicialmente da recuperação das grandes economias, depois do pior momento da pandemia, e vem sendo sustentada, recentemente, por desdobramentos da guerra na Ucrânia.

No campo, os agricultores tentam obter novos ganhos de produção, apesar das condições climáticas desfavoráveis em algumas áreas muito importantes. Mesmo com perdas em lavouras de soja e milho nos Estados do Sul e em Mato Grosso do Sul, a colheita de grãos poderá atingir, incluídas as safras de verão e de inverno, o total de 269,3 milhões de toneladas, 5,4% mais que na temporada 2020/2021, segundo a sétima estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura. Essa colheita, no entanto, é 6,7% inferior ao volume de 288,6 milhões de toneladas indicado na primeira estimativa. A volta das chuvas permitiu a recuperação parcial de algumas lavouras, sem reverter, no entanto, a perda de produtividade.

Nova estimativa aponta produção de 122,4 milhões de toneladas de soja, com redução de 11,4% em relação à safra precedente. No caso do milho, a produção total está prevista em 115,6 milhões de toneladas, com ganho de 32,7% sobre a temporada anterior. Os novos cálculos apontam aumento de 7,6% na produção de feijão, considerados todos os plantios, com colheita esperada de 3,1 milhões de toneladas. No caso do arroz é esperado um total de 10,5 milhões de toneladas, volume inferior ao do ano passado. O plantio das lavouras de inverno apenas começou e as previsões incluem 7,9 milhões de toneladas de trigo, volume recorde.

Não basta, no entanto, cuidar da produção. É preciso apoiar os agricultores prejudicados pela estiagem nos Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O Ministério da Agricultura anunciou facilidades para os devedores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A iniciativa é relevante, mas é preciso acompanhar a execução das medidas e garantir o acesso dos produtores a essa ajuda.

Pode-se discutir detalhes e criticar certas decisões, mas o Ministério da Agricultura se distingue, desde 2019, pela continuação de uma política de desenvolvimento setorial. Mantido por décadas, esse esforço ajudou a modernizar e a fortalecer o agronegócio, enquanto a indústria foi abandonada.

 

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