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A violência em São Paulo

Estudo ajuda as autoridades policiais a reforçar sua atuação nas regiões mais violentas

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2021 | 03h00

Levantamento do Instituto Sou da Paz – criado há mais de duas décadas com o objetivo de fazer análises na área da segurança pública – revela que o número de assassinatos registrados em 2020 cresceu em 6 das 12 grandes regiões do Estado de São Paulo. Das seis regiões do Estado restantes, em duas o número de assassinatos permaneceu estável e em quatro tiveram um declínio. 

Promovida com o objetivo de identificar as áreas mais problemáticas do Estado em matéria de segurança pública e divulgada com exclusividade pelo Estado, a pesquisa foi feita com base na análise do Índice de Exposição à Criminalidade Violenta (IECV) de cidades paulistas com mais de 50 mil habitantes. Ao todo, foram analisados os dados de 141 municípios. A pesquisa também levou em conta informações e registros do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter), da Secretaria da Segurança Pública. 

Segundo o levantamento, o aumento da violência foi detectado em quase metade (48,2%) das cidades paulistas de médio e grande portes. Das 141 cidades analisadas, a que registrou os piores indicadores foi Peruíbe, no litoral sul. Outra cidade foi Cruzeiro, situada ao lado da Rodovia Presidente Dutra, na região do Vale do Paraíba. Com cerca de 82 mil habitantes, ela está a 131 quilômetros de São José dos Campos. Já conurbada com os municípios vizinhos, Jacareí e Caçapava, São José dos Campos é o centro de um dos mais importantes polos industriais do País e tem altos indicadores de violência – a maioria está relacionada ao tráfico de entorpecentes e ao crime organizado, uma vez que a Rodovia Presidente Dutra é um dos principais canais de escoamento de drogas no País. 

Outra cidade problemática em matéria de segurança pública, segundo o levantamento do Instituto Sou da Paz, é Bauru, situada a 326 quilômetros da capital. Com 380 mil habitantes, é o município mais populoso da região noroeste do Estado de São Paulo. Além de ser uma área industrial cercada por vários municípios cuja economia depende da agricultura, Bauru – que tem o 68.º maior PIB entre as cidades brasileiras – é um importante entroncamento ferroviário. Num ano marcado pelos efeitos da pandemia e das políticas de isolamento social, como 2020, a cidade retornou a um patamar de violência que não era visto desde 2015. 

Além de São José dos Campos e de Bauru, outras tradicionais e importantes cidades paulistas foram atingidas pelo crescimento da violência em 2020. Na região de Piracicaba, o aumento foi de 23,3%. Na região de Araçatuba, na região noroeste, foi de 11,5%. Ainda na mesma região, São José do Rio Preto, uma cidade industrial que tem 36 pequenos municípios ao redor e é considerada uma das mais violentas do Estado, o crescimento atingiu 6,8%. E, na Região Metropolitana de São Paulo, chegou a 12%. 

Segundo o estudo, os indicadores permaneceram estáveis ou tiveram uma pequena elevação na capital e na área de Sorocaba, situada na região sudeste. Os números caíram nas regiões de Santos, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e Campinas. Nesta última região é que se situa Santa Bárbara do Oeste, a cidade que obteve a melhor posição no levantamento. 

Para os pesquisadores do Instituto Sou Paz, o aumento da violência pode ser atribuído a vários fatores. Um deles é o crescimento das disputas entre as facções do crime organizado, uma vez que o prejuízo econômico sofrido num ano pandemia as levou a buscar novos mercados. Outro fator foi o crescimento da violência interpessoal, decorrente das tensões geradas pelo isolamento social. Um terceiro fator continua sendo o fácil acesso a armas.

O mérito desse estudo é servir como orientação para que a Secretaria da Segurança Pública possa planejar suas atividades. Ele a ajuda a reforçar sua atuação nas áreas mais críticas, adotando programas específicos conforme o perfil dos municípios onde a violência cresceu mais. Só assim é que se impedirá a consolidação da tendência de alta, diz a diretora do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo. 

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