Ameaças globais

Ampliar o acesso a novos mercados exige o compromisso de melhorar as práticas ambientais

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 02h00

A mudança climática continua sendo percebida como a maior ameaça global, diz o Pew Research Center. Realizado no ano passado com mais de 27 mil pessoas em 26 países, o estudo indicou um fortalecimento dessa percepção. Em 2013, 56% viam o aquecimento global como uma grande ameaça. Em 2017, eram 63%. No ano passado, o porcentual foi de 67%.

O aumento da preocupação com o aquecimento global foi especialmente notado na França (29%) e no México (28%), mas houve crescimento significativo, de mais de dois dígitos, na Alemanha, África do Sul, Canadá, Espanha, EUA, Inglaterra, Polônia e Quênia. No Brasil, 72% apontaram a mudança climática como uma relevante ameaça global.

Confirma-se, assim, que o mundo está cada vez mais preocupado com a sustentabilidade do planeta, o que tem muitas consequências sociais, políticas e econômicas. Por exemplo, os governos que se mostrarem alheios ou contrários a essa preocupação estarão contrariando os sentimentos de sua própria população, além de se colocarem na contramão da história. Outro inegável efeito é que, com populações cada vez mais atentas a questões ambientais, ampliar o acesso a novos mercados exige o compromisso de melhorar as práticas ambientais. Ser indiferente ao meio ambiente é um meio de um país se isolar na esfera internacional.

Além do aquecimento global, o terrorismo foi outra grande preocupação constatada na pesquisa. Em oito países, entre eles, Rússia, França, Indonésia e Nigéria, o Estado Islâmico (ISIS, na sigla inglesa) foi visto como o maior risco global. Também cresceu a preocupação com os ataques cibernéticos. Em quatro países, incluindo Estados Unidos e Japão, o risco cibernético foi a preocupação internacional mais citada. Na Polônia, apontou-se o poder da Rússia como a principal ameaça internacional.

O Pew Research Center relatou que muitas pessoas manifestaram preocupação com o programa nuclear da Coreia do Norte, mas em nenhum dos 26 países pesquisados – mesmo na Coreia do Sul, que tem uma longa história de conflito e de tensão com o país vizinho – esse perigo foi citado como a principal ameaça.

No mundo inteiro, cresceu a preocupação com o poder e a influência dos Estados Unidos. Em dez países, metade ou mais das pessoas entrevistadas afirmou que o poder americano é uma grande ameaça ao seu país. Foi a maior mudança de sentimento entre as ameaças globais avaliadas. Em 18 dos 22 países pesquisados em 2013 e em 2018, houve um aumento estatisticamente significativo de quem considera os Estados Unidos como uma grande ameaça. Na Alemanha, o crescimento foi de 30%; na França, de 29%; no Brasil e no México, de 26%.

Entre as causas dessa mudança de percepção em relação aos Estados Unidos, o Pew Research Center aponta a desconfiança em relação ao presidente Donald Trump. Em 17 dos países pesquisados, as pessoas que têm pouca ou nenhuma confiança no presidente dos EUA são mais prováveis do que aquelas que confiam em Trump para indicar o poder e a influência dos EUA como uma grande ameaça. Tal fenômeno é mais marcante entre os aliados tradicionais dos EUA, como Austrália, Canadá e Inglaterra.

O estudo revelou um dado interessante a respeito da percepção sobre o risco envolvendo a situação da economia global. Embora seja citado em muitos lugares como uma ameaça significativa, tal perigo não é visto em nenhum país como a principal ameaça. O Pew Research Center destacou que isso ocorreu mesmo naqueles países em que as economias nacionais tiveram avaliações especialmente negativas, como a Grécia e o Brasil.

Tem-se, assim, que a avaliação que a população de um país faz sobre as ameaças globais pode não ser muito objetiva. Às vezes, há perigos que não se quer ver. Tal fato mostra a importância de que os governos atuem de forma responsável, com base em dados empíricos e estudos consistentes. A ideologia não é bom parâmetro para a análise de riscos.

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