As prioridades do eleitor

Pesquisa recente mostra paulistanos conectados com as questões que afetam seu dia a dia

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 03h00

Recente pesquisa do Ibope detectou as prioridades e preocupações dos paulistanos em relação à cidade de São Paulo. Além de revelar conhecimento bastante realista sobre a gestão municipal, o levantamento traz dados que podem servir de pauta para a campanha eleitoral que se iniciará no próximo dia 27 de setembro. O eleitor paulistano sabe com acuidade quais são as áreas onde ele espera que o próximo prefeito atue de forma prioritária.

Encomendada pela Associação Comercial de São Paulo, a pesquisa do Ibope entrevistou 1.001 eleitores da capital entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro máxima estimada é de três pontos porcentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Na primeira parte da pesquisa, o Ibope apresentou aos entrevistados uma lista de 18 áreas em que “as pessoas vêm enfrentando problemas de maior ou menor gravidade”, pedindo-lhes que indicassem qual era a mais importante. Essa lista incluía, por exemplo, habitação, transporte coletivo, trânsito, impostos e taxas, iluminação pública, educação e opções de lazer.

A saúde foi citada como área prioritária em 33% das respostas. Esse porcentual foi o triplo do registrado em relação ao transporte coletivo, segundo colocado no ranking de prioridades. A preocupação com a área da saúde foi mencionada por eleitores de todas as faixas de renda, sendo significativamente maior entre os mais pobres e os menos escolarizados.

Além de uma percepção realista sobre o momento atual – a pandemia do novo coronavírus continua sendo motivo de preocupação e cuidado para o morador da capital –, a prioridade da área da saúde indica também conhecimento do eleitor a respeito das atribuições municipais. Saúde pública não é uma questão exclusivamente federal ou estadual. Os três entes da Federação dispõem, de forma compartilhada, da competência constitucional relativa à saúde. Ou seja, quando o eleitor vota em um determinado candidato a prefeito, ele também faz uma escolha a respeito de políticas públicas para a área da saúde.

Após o transporte coletivo, a terceira prioridade foi a segurança pública, seguida da geração de empregos, combate à corrupção e educação. Essa ordem de prioridades mostra um eleitor com sentido prático, conectado com as questões que afetam o dia a dia de sua família. A administração local não é território de abstrações, mas de efetivo serviço ao público. Por exemplo, é competência do município, diz a Constituição, “organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial”.

Na segunda parte da pesquisa, o Ibope pediu aos entrevistados que listassem os três setores considerados mais problemáticos. Nesse tópico, a área da saúde também ficou em primeiro lugar, obtendo 62% na soma dos porcentuais. De cada dez paulistanos, seis incluem a saúde entre suas três principais preocupações. As outras duas áreas que receberam maior porcentual de respostas foram educação (39%) e segurança pública (33%). Mais uma vez restou evidente o sentido prático do eleitor, atento ao que afeta diretamente sua vida.

Seria muito oportuno que, em sintonia com as prioridades e preocupações da população da maior cidade do País, os candidatos às eleições municipais apresentassem propostas concretas sobre essas áreas consideradas fundamentais. Assim, o eleitor paulistano terá oportunidade de escolher de fato o que ele considera melhor para sua cidade. Ao depositar o voto na urna, ele não apenas escolhe os nomes de seus candidatos a prefeito e a vereador. Ele faz escolhas políticas sobre áreas com implicações diretas sobre a sua vida. Daí, portanto, a necessidade de que os partidos apresentem propostas para a saúde, a educação, o transporte coletivo, o urbanismo e tantos outros setores. Numa democracia, o voto é a oportunidade por excelência para que o cidadão manifeste suas prioridades e preocupações, definindo de fato o que deseja para o futuro de sua cidade, de seu Estado, de seu país. 

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