As virtudes do agronegócio

O agro brasileiro não só é um exemplo de competitividade econômica, mas de sustentabilidade ambiental

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2021 | 03h00

O agronegócio chega à maior cúpula ambiental do mundo, a COP 26, sob pressão. Autoridades internacionais – motivadas em parte por uma genuína (ainda que mal informada) preocupação com o desmatamento, em parte pela intenção dissimulada de privilegiar seus agricultores ou ganhar popularidade entre os jovens – ameaçam os produtores brasileiros com sanções e boicotes. A pressão é aumentada artificialmente pelo antiambientalismo do governo.

Em poucas gerações o Brasil se tornou uma superpotência agrícola. Há meio século o País dependia da importação. Hoje é o segundo exportador do mundo, em vias de se tornar o primeiro. Mas, além de potência, o agro tem virtudes. A produção se expandiu, mas a produtividade se expandiu ainda mais, reduzindo a demanda por novas áreas.

Desde a década de 50, as culturas aumentaram de duas a quatro vezes sua produção por hectare. No início dos anos 90, a produção de soja, por exemplo, era de 2 toneladas por hectare. Hoje está em 3,4; em alguns lugares chega a 5,4; e estima-se que possa chegar a 7,6. Segundo a Embrapa, a produtividade do trigo pode ser dobrada. A produtividade média da pecuária é de 4,1 arrobas por hectare. Mas há fazendas que já chegam a 103 arrobas. 

A intensificação ajudou o Brasil a ter 66% de suas terras cobertas por vegetação nativa. A média na Europa e EUA é de 30%. O agro não precisa da Amazônia para crescer. Um levantamento publicado na revista Science estimou que menos de 2% dos produtores respondem por 62% do desmatamento ilegal.

O Brasil conta com uma série de sistemas e tecnologias sustentáveis, como os sistemas agroflorestais, que incorporam diversidade vegetal com espécies agrícolas, frutíferas e florestais; agricultura orgânica; plantio direto, que enriquece biologicamente o solo; controle biológico de pragas e doenças; ou o extrativismo.

Particularmente importante é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, um sistema de rotação de sistemas produtivos em uma mesma área. Ao favorecer a recuperação de pastagens degradadas e a intensificação da produção, essa estratégia gera, a um tempo, mais lucros e menos impactos ambientais. A título de exemplo, a Roncador, uma das principais fazendas de soja e gado do Brasil, conseguiu, em parceria com a Embrapa, reduzir a área de pastagem de 60 mil hectares para 30 mil. Ao mesmo tempo que a produção de carne aumentou 30% e a de alimentos 40 vezes sem derrubar uma só árvore, a fazenda deixou de emitir 46,7 mil toneladas de CO2 por safra e passou a capturar 89 mil.

Outra área sensível é o bem-estar animal. Se nos EUA a maioria dos bovinos é criada confinada, no Brasil vive livre. A criação de frangos e outros animais soltos, sem estresse ou antibióticos, também cresce expressivamente.

Por meio da combinação de empreendedorismo, políticas de crédito e fomento, parcerias público-privadas e pesquisa e inovação, o agro brasileiro – em que pesem as deficiências e exceções –, longe de ser um vilão ambiental, se tornou um exemplo para o mundo.l

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