Aumento da violência

Com armamento mais pesado, os assaltantes não receiam praticar os crimes à luz do dia e em locais com grande concentração de pessoas

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2019 | 03h00

Em 2018, o número de assaltos a carros-fortes atingiu marca recorde no País, indica pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Segurança Privada (Contrasp). Foram 116 ocorrências no ano passado em todo o País. Em 2017, haviam sido 109 ataques a carros-fortes. Nos anos anteriores, o patamar era outro. Em 2016, foram 65 assaltos a carros-fortes e em 2015, 71. Os dados são preocupantes, indicando uma atuação mais intensa de quadrilhas organizadas e fortemente equipadas. São cada vez mais frequentes crimes com uso de metralhadoras, fuzis, explosivos e carros blindados.

Com armamento mais pesado, os assaltantes não receiam praticar os crimes à luz do dia e em locais com grande concentração de pessoas. No ano passado, uma quadrilha tentou assaltar um carro-forte em Araçariguama, enquanto era feito um abastecimento dum caixa eletrônico no meio de uma galeria comercial repleta de gente. Houve pânico e muita correria. Um segurança morreu e sete suspeitos foram presos.

O maior número de crimes foi acompanhado de um significativo crescimento do número de vítimas. Em 2018, o número de vítimas cresceu 133% em relação ao ano anterior. Foram 70 mortos em ações criminosas contra instituições financeiras. Em 2017, haviam sido 30 mortes. “A falta de investimento na segurança resulta na chacina da população e dos profissionais, que encaram a morte diariamente em serviço, protegendo o patrimônio e a vida de terceiros”, diz João Soares, presidente da Contrasp.

Em 2018, a região com mais ocorrência de assaltos a carros-fortes foi o Nordeste. Mais da metade dos crimes (63 ocorrências) ocorreram em seis dos oito Estados nordestinos. No País, o Estado recordista é a Bahia, que sofreu 18 ataques a carros-fortes no ano passado. Em 2017, haviam sido 10.

Em São Paulo, caiu o número de assaltos a carros-fortes em 2018, mas a frequência ainda é alta. Foram 14 ocorrências, contra 22 em 2017, o que havia lhe dado a posição de Estado com mais ataques a carros-fortes. No ano passado, ficou em segundo lugar.

O estudo da Contrasp indica também um crescimento significativo de ataques a casas lotéricas. Foram 235 ocorrências em 2018, ante 165 no ano anterior, num crescimento de 42,4%. São Paulo foi o Estado que sofreu mais ataques desse tipo (45), seguido de Minas Gerais, com 30 ocorrências.

Também houve aumento do número de assaltos a clientes na saída das agências bancárias. Em 2018, houve 97 ocorrências dessa modalidade de crime. Em 2017, haviam sido 54. O Estado recordista nesse crime foi São Paulo, com 28 ataques.

A Contrasp também assinala a ocorrência do “novo cangaço”, uma modalidade de crime que vem aterrorizando muitas cidades do interior, especialmente no Nordeste. “Os assaltantes fecham a cidade pequena e praticam o crime do chamado ‘novo cangaço’. Esse volume grande de dinheiro retirado dos carros-fortes acaba abastecendo o crime organizado. Quem faz o ataque são operários. Tem alguém que chefia”, diz João Soares. Ele relata que já existe até mesmo um mercado de aluguel de arma de grosso calibre para essa modalidade de crime.

Mas o uso de armamento pesado na prática de crime não está restrito a determinada região do País. Em novembro do ano passado, uma quadrilha com mais de dez integrantes atacou e explodiu um carro-forte na Rodovia Abrão Assed (SP-333), no município de Cajuru (SP). Armado com fuzis, o grupo rendeu seguranças e trocou tiros com a Polícia Militar. Dois policiais ficaram feridos. Os criminosos levaram os malotes com o dinheiro.

Além de amedrontar e deixar a população refém de criminosos, essa violência prejudica enormemente a economia do País, aumentando o custo Brasil e desestimulando negócios. É preciso que o poder público atue a tempo, de forma coordenada e com meios adequados. Não é possível assistir a essa escalada de crimes como se fosse coisa normal. O crescimento do crime é também sintoma da omissão do Estado em seu dever de proteger o cidadão.

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