Balança comercial no mundo em conflito

Nosso comércio exterior ainda vai bem, mesmo com mudanças bruscas no mundo, mas já começa a sentir efeitos negativos

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2022 | 03h00

A balança comercial continua a registrar resultados expressivos, que vêm garantindo uma situação confortável para o País na área externa. Não é pouco para uma economia que, embora venha demonstrando certo vigor, ainda está fraca. As projeções para o crescimento da economia neste ano estão sendo gradualmente revistas para cima por órgãos do governo e instituições privadas, mas ainda assim o resultado final será modesto e deixará um peso para o desempenho no ano que vem. Nesse ambiente, é animador o crescimento contínuo das exportações e das importações, com a consequente expansão da corrente de comércio (soma das vendas e compras externas), assegurando saldos expressivos.

Em julho, as exportações registraram crescimento de 23,0% sobre as de um ano antes. As importações cresceram em ritmo mais acentuado, com aumento de 41,6% sobre julho de 2021. Desse modo, o saldo comercial vem se contraindo. O de julho, de US$ 5,444 bilhões, foi 22,7% menor do que o de um ano antes. No acumulado do ano, o saldo de US$ 39,750 bilhões é 10,4% menor do que o dos primeiros sete meses de 2021. Por esse lado, não há motivo para preocupação. Embora menor, o saldo ainda é confortável, e o governo continua a projetar superávit comercial de US$ 81,5 bilhões no ano. 

Alterações bruscas, e intensas em certos casos, no cenário mundial, porém, vêm sinalizando mudanças na evolução da balança comercial do País que, embora ainda discretas, talvez recomendem alguma atenção. A guerra na Ucrânia vem afetando o fluxo comercial mundial desde seu início, em fevereiro deste ano. Produtos de grande impacto no comércio mundial, e no atendimento de necessidades de populações de muitos países, tiveram sua comercialização suspensa ou fortemente reduzida, com impactos brutais sobre os preços.

A reversão da recuperação da economia mundial, que se observava desde que a pandemia passou a arrefecer, reduziu a demanda de muitos produtos, o que, para os resultados do comércio em valores, foi compensado em parte pela alta dos preços. A economia da China, motor da economia mundial em outros períodos de queda da atividade produtiva, vem apresentando seus piores resultados em muitas décadas.

A China é, há anos, o principal destino dos produtos brasileiros, especialmente minérios e commodities agrícolas. Em julho, as exportações do País para a China, Hong Kong e Macau caíram 0,5%, somando US$ 7,98 bilhões. No resultado acumulado do ano, a queda é de 1,1%. As importações brasileiras da China, de sua parte, aumentaram 31,0%.

As exportações brasileiras para outros grandes mercados, como os Estados Unidos, Argentina e União Europeia, continuam em expansão. Mas o resultado acumulado de 12 meses na comparação com o período imediatamente anterior, embora continue aumentando, mostra perda de vigor. As exportações, que até fevereiro cresciam a um ritmo próximo a 40%, agora crescem pouco mais de 20%. 

De onde quer que se olhe, portanto, o Brasil começa a sofrer os efeitos das mudanças aceleradas no cenário internacional, e seria prudente começar a se preparar para um horizonte bem mais desafiador, que já se avizinha. 

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