Bolsonaro segue a cartilha do PT

Governo Bolsonaro cria novas universidades e institutos técnicos dividindo instituições já existentes

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2021 | 00h00

Apesar das críticas que sempre fez ao ex-presidente Lula por ter lançado projetos ambiciosos, caros e sem base técnica na área do ensino superior apenas para viabilizar as aspirações eleitorais do PT, o presidente Jair Bolsonaro vem seguindo a mesma cartilha. Com problemas de penetração política em alguns Estados, seu governo está anunciando a criação de cinco novas universidades federais e cinco institutos técnicos em cada um deles. 

As universidades estão previstas para os Estados do Amazonas, Maranhão, Piauí, Mato Grosso e Espírito Santo e os institutos técnicos para os Estados do Paraná, Goiás e São Paulo. Como o tempo é curto, já que falta menos de um ano para a eleição de 2022, e a criação de cada instituição é morosa, o Ministério da Educação (MEC) optou por dividir cinco universidades e cinco institutos técnicos já existentes, para aproveitar suas instalações. 

O projeto não prevê nem a construção de novos edifícios e a abertura de novas vagas. Contudo, atendendo aos interesses eleitoreiros do Centrão, cujos líderes são oriundos da maioria desses Estados, ele permitirá a contratação de 2.912 novos servidores, podendo levar a um aumento de gastos com pessoal de R$ 500 milhões por ano. No MEC, o Centrão já controla o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que repassa recursos para Estados e municípios. Ao justificar os desmembramentos de instituições existentes e a criação de 2.912 cargos, os líderes do Centrão se limitaram a afirmar que atenderam a pleitos da “sociedade organizada apoiada por parlamentares de cada município beneficiado”. 

Tomada pela ala política do governo, sem qualquer estudo sobre as necessidades do ensino técnico e superior nesses Estados, a decisão de criar novas universidades federais com base no desmembramento das instituições existentes pegou de surpresa o Ministério da Economia e a comunidade acadêmica. Segundo a equipe econômica, a proposta orçamentária para 2022 simplesmente não prevê esse aumento de gastos. Ela também afirma que não há qualquer interesse social na criação de novos cargos administrativos sem que haja expansão de vagas. E ainda lembra que não faz sentido criar 2.912 cargos para novas instituições quando as que já existem há muito enfrentam um déficit de profissionais, por falta de recursos orçamentários. 

Já os reitores das universidades federais que serão desmembradas alegam que a iniciativa do governo prejudicará as atividades de pesquisa e intercâmbio. “A forma como a proposta está sendo conduzida, sem diálogo e sem planejamento, sob pressão de políticos apartados da realidade do sistema universitário, configura flagrante desrespeito ao princípio constitucional da autonomia universitária”, disseram, em nota, os membros do Conselho Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo. 

Decorrente da captura do MEC pelo Centrão, essa decisão insensata e eleitoreira é mais uma amostra do desastre administrativo do governo Bolsonaro em áreas fundamentais para o futuro das novas gerações.

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