Brasil piora mais do que o mundo

FMI revisa para baixo projeções para a economia mundial, mas a redução para o Brasil é mais acentuada

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2022 | 03h00

Num mundo que enfrenta novos problemas, os do Brasil parecem piores, pois produzem efeitos negativos mais acentuados. O avanço da nova variante da covid-19 tornou mais débeis as condições para o crescimento da economia em 2022, que foi revisto para baixo pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas a redução das projeções para o desempenho da economia brasileira foi proporcionalmente mais acentuada do que para outros países emergentes. Dificuldades no suprimento internacional de bens e alta dos preços da energia estão impulsionando a inflação em muitos países. Mas, também nesse caso, os resultados do Brasil estão sendo piores do que os da maioria dos demais países.

O novo cenário para a economia mundial mostrado pelo FMI na atualização dos dados da Perspectiva Econômica Mundial publicada em outubro do ano passado é reflexo das novas condições observadas no início de 2022. Elas são mais restritivas para a atividade da economia.

Para o crescimento da economia mundial em 2022, a projeção foi reduzida de 4,9% para 4,4%, corte de aproximadamente um décimo (redução de 10%). Para o Brasil, no entanto, a redução foi proporcionalmente mais acentuada, de 1,5% para apenas 0,3%. Isso significa um corte de 80% entre a projeção de outubro e a revisada, que está em consonância com a média das expectativas captadas semanalmente pelo Banco Central.

O fosso entre a economia brasileira e a mundial tende a continuar aumentando. Nas projeções para o próximo ano, o FMI elevou o crescimento da economia mundial de 3,6% para 3,8%. É sinal de que, para a maioria dos países, o quadro deve ser mais favorável do que aquele previsto em outubro de 2021. Já para a economia brasileira, a projeção foi reduzida, de 2,0% para 1,6%. No grupo das 26 principais economias mundiais, o Brasil ficará em penúltimo lugar em 2023, atrás apenas da África do Sul (projeção de alta de 1,4% de seu PIB). Se essas projeções se confirmarem, passada a pior fase da pandemia, o Brasil terá retomado o desempenho medíocre que apresentava antes dela. Terão sido quatro anos sem avanço expressivo no campo econômico.

Também quanto à inflação o desempenho do Brasil é bem pior do que o do resto do mundo. Neste ano, a alta média dos preços deve ficar em 3,9% nos países ricos e em 5,9% em países emergentes. No Brasil, há projeções de que a inflação de 2022 pode ficar abaixo de 6%, embora ainda acima do limite de tolerância da política de metas do Banco Central. Será um feito louvável se esse índice for alcançado, pois no momento a inflação está acima de 10% em 12 meses.

Além dos problemas que preocupam outros países, o Brasil enfrenta vários de natureza interna, especialmente na esfera do poder público, que tem à frente uma pessoa despreparada para o cargo. Desequilíbrio fiscal que se acentua e pressões sobre a taxa do câmbio, com efeito sobre a inflação, são consequências de um governo incapaz de conduzir suas tarefas com competência. E o desemprego segue altíssimo. O ano eleitoral não tornará o governo melhor, muito ao contrário.

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