Chega de escolas fechadas

Alta de casos de covid-19 impõe revisão de protocolos de segurança e orientação sobre vacinação, mas com escolas abertas

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2022 | 03h05

Escolas de São Paulo têm registrado alta no número de casos de covid-19 entre seus alunos. Alguns estabelecimentos de ensino voltaram a exigir o uso de máscaras em suas dependências e até a suspender as aulas. A essa altura, o fechamento das escolas ou a mera suspensão das aulas regulares são medidas que nem sequer deveriam ser cogitadas. Os alunos já foram muito penalizados pela incapacidade das autoridades e dos administradores dos colégios para lidar com a pandemia no ambiente escolar. Na dúvida sobre o que fazer diante da ameaça sanitária, optou-se por simplesmente fechar as escolas, e por um tempo muito além do necessário. Essa medida, fácil e errada, impôs a milhões de crianças e adolescentes um altíssimo custo educacional e social.

Há muitas coisas que uma escola pode fazer para proteger seus alunos, professores e demais funcionários contra o coronavírus sem ter de recorrer a medidas drásticas como o fechamento, ainda que temporário. A principal delas é pedir aos pais a apresentação do comprovante de vacinação dos alunos e orientá-los sobre a importância da vacinação, inclusive para eles. No Estado de São Paulo, por resolução da Secretaria Estadual da Educação, os responsáveis legais pelos alunos matriculados na rede estadual de ensino devem apresentar o documento ou um atestado médico que justifique a contraindicação para que o menor receba a vacina. O mesmo vale para os alunos da rede municipal da capital paulista. Mas a prática não é adotada em todas as escolas públicas e privadas.

Independentemente da legalidade da exigência do comprovante de vacinação – há quem veja “conflito” entre os direitos à saúde e à educação das crianças e adolescentes cujos pais não desejam vaciná-las –, é papel inalienável das escolas orientar alunos, funcionários, pais e responsáveis. Ademais, o comprovante de vacinação contra múltiplas doenças infecciosas já é exigência comezinha para matrícula há décadas. Então, por que não haveria de ser no caso da covid-19? Porque o tema foi politizado. Espera-se, contudo, que as escolas sejam centros de formação do conhecimento, e isso é impossível sem o devido respeito à ciência.

A bem da verdade, os patamares de vacinação da população em geral, e das crianças acima de 5 anos, em particular, não estão baixos. Atualmente, cerca de 75% dos adultos já receberam as duas doses ou a dose única da vacina. Em relação às crianças, esse porcentual sobe para 81,2%. Essas taxas, no entanto, precisam aumentar, haja vista a ampla disponibilidade de imunizantes, o nível de informação da população, passados mais de dois anos de pandemia, e, mais importante, as cabais evidências científicas que atestam a segurança e a eficácia das vacinas para a redução drástica nos números de casos e mortes decorrentes da covid-19.

As escolas, portanto, devem privilegiar a adoção de protocolos de segurança – como o uso de máscaras e algum distanciamento nas salas de aula, se for o caso – e, sobretudo, a orientação de seus alunos, pais e responsáveis sobre a premência da vacinação, mas mantendo suas atividades. Chega de escolas fechadas.

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