Começou mal

Promessa do pré-candidato Tarcísio de Freitas de acabar com as câmeras nos uniformes policiais é enorme retrocesso

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2022 | 03h05

O Estado de São Paulo tem vários desafios, que precisarão ser responsavelmente enfrentados pelo próximo governo estadual. Ano eleitoral é sempre uma excelente oportunidade para debater os diagnósticos e as respectivas propostas. No regime democrático, há um saudável e necessário campo de discussão de ideias e percepções sobre os problemas existentes. De toda forma, pode-se afirmar, com toda a segurança, que promover o retrocesso não está na lista dos desafios do Estado de São Paulo. Há outros problemas, reais, a serem enfrentados.

Na semana passada, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos-SP), ex-ministro da Infraestrutura e pré-candidato ao governo de São Paulo, começou mal sua campanha: prometeu extinguir o programa estadual de instalação de câmeras nos uniformes dos policiais militares por “não ser a forma mais efetiva de combate ao crime”. Segundo Tarcísio Gomes de Freitas, as câmeras limitam a ação policial e dificultam a tomada de decisão dos policiais militares, o que representaria uma ameaça para os agentes de segurança.

Em primeiro lugar, chama a atenção que o pré-candidato do Republicanos ao Palácio dos Bandeirantes se oponha a um incontestável avanço no campo da segurança pública, alcançado em São Paulo e em vários outros Estados. A política não pode ser feita destruindo as realizações anteriores simplesmente porque foram promovidas por adversários políticos. Atuar assim é ignorar o sentido mais genuíno da política e de todas as políticas públicas: servir à população.

Com as câmeras nos uniformes policiais, a população está mais segura. A adoção dessa política, inspirada em várias experiências de sucesso no exterior, reduziu drasticamente as situações de violência policial e o número de mortes nas operações policiais. Além disso, ao contrário do que diz Tarcísio Gomes de Freitas, as câmeras oferecem segurança à atuação policial, ao registrarem exatamente as circunstâncias que fundamentaram a decisão dos agentes. A prova fica devidamente guardada.

Ao prometer o fim das câmeras nos uniformes policiais, o pré-candidato do Republicanos defendeu a necessidade do treinamento da tropa. Ora, as câmeras oferecem um material precioso para a formação contínua dos policiais militares. Se a prioridade é a capacitação da tropa, o programa das câmeras nos uniformes, criado no governo de João Doria (PSDB-SP), deve ser mantido e incentivado.

A rejeição do uso da tecnologia nos uniformes policiais, uma tecnologia que dá transparência à atuação estatal e protege a população, é um perigoso retrocesso, que facilita a vida dos maus policiais. Não é bandeira compatível com o interesse público.

Com limitações e dificuldades – há naturalmente muito o que melhorar –, o Estado de São Paulo tem sido administrado, nas últimas décadas, dentro de um patamar mínimo de eficiência e responsabilidade, com políticas públicas baseadas em evidências. As propostas para o próximo governo devem ter o objetivo de ampliar e aprimorar essa racionalidade da administração pública, e não de destruir o que foi feito.

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