Como a população está mudando

Ao mostrar como o País mudou desde 2010, Censo é fundamental para desenho de políticas públicas e para setor privado

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2022 | 03h05

Com atraso de dois anos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou, no primeiro dia de agosto, a coleta de dados do Censo Demográfico 2022. Seus resultados, que começarão a ser conhecidos em dezembro, mostrarão como e quanto o País mudou desde 2010. Identificar essas mudanças pode ser de grande auxílio na formulação de políticas públicas, em particular nas áreas de educação, saúde e ações sociais.

Realizado regularmente a cada dez anos desde 1940, o Censo teve, neste ano, o maior atraso de sua história. Programado para ser realizado em 2020, o trabalho foi adiado para o ano seguinte por causa da pandemia. No ano passado, houve novo adiamento, por falta de recursos no Orçamento da União. Será realizado com os mesmos recursos que haviam sido previstos em 2019. A inflação corroeu o valor real da verba e deve trazer dificuldades para o IBGE. “Estamos preparados para superá-las”, garantiu o presidente do instituto, Eduardo Rios Neto, na cerimônia que marcou a abertura da operação do Censo 2022.

Até o fim de outubro, mais de 183 mil agentes censitários (15 mil ainda estão sendo contratados) visitarão 75 milhões de domicílios em 5.570 municípios. A estimativa é de que a população brasileira seja atualmente de 215 milhões de pessoas.

É importante que o responsável pelo domicílio receba o recenseador com cordialidade e preste as informações solicitadas. Haverá dois questionários. O básico será aplicado a praticamente 90% da população e conterá questões sobre as condições do domicílio e informações sobre os moradores, incluindo renda, grau de instrução e mortalidade. O mais completo investigará trabalho, rendimento, estado civil, fecundidade, religião ou culto, deslocamento para estudar ou trabalhar, entre outros temas.

“Se por acaso seu domicílio não foi recenseado, procure o IBGE”, recomenda o diretor de Pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo. “O Censo é fundamental para você, para o País, para todo o mundo. É importante que o País se conheça.”

De fato, o Censo registra as características essenciais de cada cidadão, de cada família e de cada domicílio. Mostra também a distribuição geográfica da população. Há alguns anos o padrão demográfico brasileiro vem se modificando, com aumento proporcional da população idosa e redução gradual do número de jovens. O envelhecimento da população aponta para o crescimento das despesas com saúde e com o sistema previdenciário, bem como para a redução do ritmo de expansão da rede de ensino básico.

Identificar como vivem as crianças e jovens em idade escolar permitirá ações mais efetivas no campo da educação. Novas demandas estimuladas ou criadas pela pandemia igualmente determinarão os rumos das políticas públicas para a área de saúde.

O Censo mostrará com maior clareza essas transformações e fornecerá aos gestores de políticas públicas informações preciosas para o desenho das ações do governo. Ao possibilitarem um planejamento mais preciso, os dados do Censo são também fundamentais para o setor privado.

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