Desemprego cai, mas ainda é alto

A desocupação diminuiu no Brasil, mas continuou muito acima dos padrões das economias avançadas e emergentes

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2022 | 03h00

Tímida e oscilante, a recuperação em 2021 foi insuficiente para levar o desemprego, no Brasil, a níveis parecidos com os de outras economias capitalistas, onde poucas taxas superam 6,5% da força de trabalho. Com 12,4 milhões de pessoas desocupadas, 11,6% da população economicamente ativa, o País permaneceu, no trimestre móvel de setembro a novembro, distante dos padrões internacionais. Em novembro, a desocupação média era 4,5% nas sete maiores economias capitalistas, 6,5% na União Europeia, 7,2% na zona do euro e 5,5% nos 38 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Só em 4 dos 38 associados as taxas estavam acima de 10%. 

Embora bem pior que o da maior parte das economias emergentes e avançadas, o desemprego ficou menos feio, no Brasil, quando comparado com o do trimestre junho-agosto. Nesse período os desocupados eram 13,9 milhões, 13,1% da população ativa. A desocupação foi menor que a de um ano antes, 14,4%, quando o País começava a superar o primeiro impacto da pandemia. Mas no trimestre encerrado em novembro de 2021 a taxa ainda foi superior à de dois anos antes, quando nem a Organização Mundial da Saúde havia se manifestado sobre o surto na cidade chinesa de Wuhan.

Além disso, o desemprego continuou, no último período, bem acima dos níveis de 2012, 2013 e 2014, quando as taxas foram 6,8%, 6,6% e 6,6%, nos trimestres de setembro a novembro. A recessão iniciada no fim do governo da presidente Dilma Rousseff levou a desocupação a 9,1% em 2015, 12% em 2016 e 12,1% em 2017. Houve um ligeiro recuo nos dois anos seguintes, mas o efeito combinado da pandemia e da gestão Bolsonaro impediu novos grandes avanços contra a desocupação.

Não está claro se a redução do desemprego observada no trimestre setembro-novembro foi uma conquista sustentável. Pelo menos em parte a criação de empregos, nesse período, deve ter sido sazonal. Contratações tendem a aumentar no fim do ano, principalmente no comércio e nos serviços, como observou a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy. Mas a ocupação cresceu em sete dos dez grandes grupos de atividades, um detalhe especialmente animador. Falta verificar, de toda forma, quantos desses empregos terão sido mantidos no começo deste ano.

Em nenhum grupamento, no entanto, o rendimento médio habitual foi maior que no trimestre móvel imediatamente anterior. Pior que isso, esse rendimento, R$ 2.444, foi 4,5% menor que o do trimestre de junho a agosto e 11,4% inferior ao de um ano antes. Essa queda refletiu as condições desfavoráveis do mercado de emprego e os efeitos da inflação sobre o poder de compra da remuneração do trabalho. Mesmo com o recuo estimado por economistas, a inflação continuará desgastando a renda do trabalhador. Além disso, as oportunidades de emprego dificilmente serão muito melhores que as de 2021, se as expectativas econômicas forem confirmadas. Nenhuma séria disposição de melhorar esse quadro foi demonstrada, até agora, pela administração federal.

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