Dinheiro curto e varejo fraco

Vendas do comércio recuam e compõem, com a produção industrial em baixa, o quadro de uma economia estagnada

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2021 | 03h00

Com pouco dinheiro e muita insegurança, o consumidor entrou cauteloso no trimestre final de 2021. Em outubro o varejo do dia a dia vendeu 0,1% menos que no mês anterior, completando três meses consecutivos de quedas. Depois de um terceiro trimestre decepcionante, quando o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 0,1%, o marasmo econômico persistiu, com baixo consumo e pouca atividade nas fábricas. O volume vendido em outubro pelo comércio varejista foi 7,1% menor que o de um ano antes e 0,1% inferior ao de fevereiro de 2020, último patamar pré-pandemia. Houve recuo mensal em cinco dos oito ramos pesquisados, incluídos combustíveis e lubrificantes, alimentos e artigos farmacêuticos. No varejo ampliado – com inclusão de veículos, seus componentes e materiais de construção –, a queda chegou a 0,9% em relação ao resultado de setembro.

O baixo movimento nas lojas, armazéns, hiper e supermercados soma-se aos números da indústria na composição de um cenário de prolongada estagnação. Em outubro a indústria produziu 0,6% menos que no mês anterior, segundo já havia informado o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O balanço dos serviços deve ser publicado na próxima semana. Esse dado completará o quadro da economia urbana, severamente prejudicada, a partir do segundo trimestre, pelos efeitos combinados do alto desemprego, da inflação acelerada e da insegurança provocada por um Executivo sem rumo, sem política econômica e sujeito aos interesses fisiológicos do Centrão.

O avanço da imunização, conseguido apesar do negacionismo do presidente, facilitou alguma recuperação econômica. Mas a reativação logo perdeu impulso. Já no segundo trimestre o PIB encolheu 0,4%. Em oito dos dez meses de janeiro a outubro a produção industrial diminuiu. No mesmo período as vendas do comércio varejista recuaram seis vezes, assim como as do varejo ampliado.

Além da alta de preços, das péssimas condições do emprego e dos desmandos do poder central, os juros crescentes dificultaram os negócios. Com pressões inflacionárias ainda fortes, dificilmente a política monetária será mais suave no próximo ano.

A inflação acumulada em 12 meses supera 10%. Para 2022 a mediana das estimativas de mercado aponta uma alta de preços de 5,02%, ligeiramente acima do teto da meta (5%). Se o Banco Central persistir no esforço de contenção dos preços, a política de juros continuará freando a atividade econômica. Os economistas têm reduzido a cada semana as projeções de expansão do PIB no próximo ano. As apostas agora convergem para cerca de 0,5%. O ministro da Economia, Paulo Guedes, insiste em prometer resultados melhores que os indicados pelo mercado, mas os fatos continuam contrariando a fala ministerial.

A menos de um mês do Natal, os sinais de reanimação econômica seguem escassos, o próximo Orçamento continua indefinido, as pressões inflacionárias persistem e o presidente permanece distante de suas funções. Em 2023, tudo indica, desafios assustadores marcarão o início do mandato seguinte.

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