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É hora de ampliar os cuidados

O governador de SP, João Doria (PSDB), foi prudente ao acatar os argumentos do Comitê de Contingência da Covid-19 e manter as atuais restrições

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 03h00

O governo de São Paulo decidiu adiar a flexibilização do Plano São Paulo de enfrentamento da pandemia de covid-19 em decorrência do aumento do número de casos da doença em todo o Estado. Segundo o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, em uma semana foram registrados aumentos de 8,3% no número de casos de covid-19 e de 7,8% nas internações em leitos de UTI e enfermarias. Os indicadores epidemiológicos mostram que São Paulo está em uma curva ascendente na média móvel de casos, o que, evidentemente, impõe o aumento das restrições à circulação de pessoas, não o contrário.

Em boa hora, prevaleceu a recomendação do Comitê de Contingência da Covid-19, composto por especialistas altamente qualificados, de ao menos manter as atuais restrições. Sabe-se das pressões de natureza econômica para que a guarda seja baixada. Mas o governador João Doria (PSDB) foi prudente ao acatar os argumentos do colegiado científico que o assessora. “Não seria conveniente neste momento (manter) a flexibilização que seria iniciada no dia 1.º de junho”, disse o coordenador executivo do Comitê de Contingência, João Gabbardo. Já Doria afirmou que “os indicadores da pandemia recomendam cautela”. A decisão do Palácio dos Bandeirantes havia sido antecipada pelo Estado.

Assim, a vigência da fase emergencial foi prorrogada até o dia 14 de junho. Portanto, shoppings, lojas, restaurantes, salões de beleza e academias, entre outros estabelecimentos comerciais, seguem podendo funcionar das 6h às 21h, com ocupação máxima de 40% da capacidade.

A rigor, o novo afrouxamento da chamada fase de transição da fase emergencial, ora vigente, para a fase laranja, anunciado na semana passada, nem sequer deveria ter sido cogitado. Só o foi porque então havia estabilidade do número de casos e mortes decorrentes da covid-19 em São Paulo. O problema é que estes patamares de estabilidade, e não apenas no Estado, mas no País, estão muito elevados, o que impõe uma pressão constante sobre os sistemas de saúde público e privado, que já operam no limite de sua capacidade em muitos municípios.

O Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que, pela primeira vez em 15 meses de pandemia, a mediana de idade dos internados em todo o País está abaixo dos 60 anos. É verdade que a taxa de mortalidade dos mais jovens é menor. Mas, em contrapartida, este contingente populacional permanece internado por mais tempo, o que sobrecarrega as UTIs e enfermarias. Quanto menor a capacidade dos hospitais de absorver todos os doentes que a eles acorrem, maior é o número de mortes dos pacientes mais vulneráveis. E a Nação não pode tolerar o agravamento deste quadro macabro como se fosse um fato da natureza.

A ser mantida a atual média móvel de mortes diárias, o Brasil chegará ao meio milhão de mortos por covid-19 em cerca de um mês. A projeção mais pessimista do Instituto para Métricas de Saúde e Avaliação (IHME) da Universidade de Washington para o Brasil indica que o País terá perdido 973 mil de seus cidadãos em setembro caso as medidas de proteção contra o vírus sejam negligenciadas – coletiva e individualmente.

Não se pode perder de vista alguns fatos incontornáveis. O coronavírus segue fora de controle. Há novas cepas identificadas no País, potencialmente mais contagiosas, como a variante indiana. A vacinação da população é claudicante, em velocidade muito aquém da velocidade de circulação do patógeno. No momento, apenas 10% da população recebeu as duas doses da vacina. É muito pouco diante da urgente necessidade de conter o avanço da doença e – o que é uma vergonha – diante da capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de executar o Plano Nacional de Imunizações (PNI), que só não repete a excelência de campanhas passadas por falta de imunizantes.

Os epidemiologistas têm alertado para o risco de uma terceira onda de covid-19 no País, ainda mais mortal. Esta peste não terá fim até que a população-alvo esteja totalmente imunizada contra o vírus, o que exige um farto estoque de vacinas. Até lá, o isolamento social e o uso correto de máscaras são as únicas formas de amainar este flagelo que se abateu sobre a Nação. 

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