É urgente ampliar a vacinação

Um terço da população ainda não recebeu a 2.ª dose. Proteção contra casos graves da Ômicron só vem com a 3.ª

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2022 | 03h05

Neste início de 2022, as longas filas nos postos de saúde para a aplicação das vacinas contra a covid-19 foram substituídas por filas igualmente extensas formadas por pessoas que apresentam sintomas gripais e desejam realizar o teste para detectar se foram acometidas pela doença. É grande a probabilidade de que tenham sido. É perceptível o exponencial aumento do número de casos de covid-19 no País em decorrência da disseminação comunitária da variante Ômicron, muito mais contagiosa do que outras cepas do coronavírus. Uma análise feita pelo Instituto Todos pela Saúde, em parceria com a rede de laboratórios Dasa e a DB Molecular, revelou que a Ômicron é a cepa do Sars-Cov-2 prevalente em nada menos que 98,7% das amostras coletadas no Brasil.

Há mais de um mês, o Ministério da Saúde está às escuras em face do “apagão” de dados causado por um ataque hacker. Secretarias Estaduais e Municipais da Saúde têm enfrentado grande dificuldade para inserir dados nos sistemas da pasta, o que dificulta – quando não impede – o devido controle epidemiológico no País. Mas não é necessário recorrer às estatísticas oficiais para perceber que o número de doentes tem crescido rapidamente. Não são poucos os relatos de cidadãos que têm conhecimento de algum amigo ou familiar que tenha sido infectado pelo coronavírus, quando não eles mesmos.

Mas, graças à disponibilidade de vacinas no País, após longos meses de escassez causada pela sabotagem deliberada do governo federal à campanha de vacinação, e à alta procura dos cidadãos pelos imunizantes, no Brasil não se observa, felizmente, um aumento do número de internações e mortes por covid-19 na mesma proporção em que cresce o número de casos. Na esmagadora maioria dos casos, os acometidos pela covid-19 hoje manifestam apenas sintomas leves da doença. O próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi obrigado pelos fatos a deixar a subserviência ao presidente Jair Bolsonaro de lado por um momento e reconhecer que “a grande maioria” dos internados em enfermarias e UTIs por covid-19 é composta por pessoas não vacinadas.

É urgente, portanto, diminuir a quantidade de não vacinados. É ótimo que quase 70% da população esteja totalmente imunizada contra a covid-19, mas há que considerar que um terço da população ainda não recebeu nem a segunda dose da vacina. E estudos indicam que só com a aplicação da terceira dose, a chamada dose de reforço, há proteção efetiva contra formas graves da covid-19 e morte causadas pela variante Ômicron.

As prefeituras devem localizar os cidadãos que ainda não tomaram a segunda dose da vacina – muitos não o fizeram por dificuldades de acesso aos postos de saúde – e aplicar o imunizante. É igualmente urgente acelerar a aplicação da dose de reforço. O aumento dos casos da variante Ômicron pode ocasionar, porcentualmente, poucos casos graves, mas, em números absolutos, trata-se de muita gente. Só as vacinas, portanto, impedirão que o País reviva os horrores do colapso hospitalar, que tantas vidas custou ao longo do ano passado.

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