Emergência

Até que a vacinação deslanche, a união dos cidadãos é fundamental para salvar vidas

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 03h00

O Brasil passa pelo momento mais dramático da pandemia de covid-19. O País caminha para chegar ao final de março tendo perdido cerca de 300 mil de seus cidadãos para a doença. Novas cepas do coronavírus, mais contagiosas, são disseminadas sem qualquer tipo de controle ou medidas de contenção. Resultado disso é que os hospitais das redes pública e privada, seja nos Estados mais ricos, seja nos mais pobres, entraram em colapso ou estão prestes a saturar sua capacidade de lotação. É grande o risco de se generalizar os casos de pessoas que precisam de atendimento médico morrerem em casa ou na porta de hospitais lotados. Em algumas cidades isso já ocorre.

O que poderia interromper esta escalada da morte – uma massiva campanha de vacinação da população – ainda está longe de ser a realidade do País. As poucas doses que há são aplicadas numa velocidade muito aquém da velocidade de espalhamento do vírus. É uma luta desigual, decorrente em grande medida da desídia do governo de Jair Bolsonaro em coordenar no âmbito federal a imunização dos brasileiros.

As autoridades ciosas de sua responsabilidade têm praticamente implorado à população para que permaneça em casa. E se houver absoluta necessidade de sair às ruas, que isto seja feito com os cuidados sobejamente conhecidos a esta altura. Em poucos momentos da história do País foi tão necessária a união da sociedade para superar um mal que afeta todos os cidadãos.

No dia 10 passado, foram registradas 2.349 mortes por covid-19 em apenas 24 horas, sem contar a subnotificação. É estarrecedor. As atuais gerações jamais passaram por algo remotamente parecido com esta tragédia. E nada garante que este terrível número de mortes diárias não aumente nos próximos dias.

São Paulo, o mais populoso Estado da Federação, é um dos que mais padecem com o recrudescimento da pandemia no País. Para evitar o pior, ou seja, cidadãos morrendo por falta de atendimento nos hospitais, o governo estadual criou uma nova categoria de restrições no Plano São Paulo ainda mais severa do que a fase vermelha. Embora fossem as mais rigorosas até então, as medidas da fase vermelha não puderam deter o vertiginoso crescimento do número de casos e mortes no Estado.

O Palácio dos Bandeirantes decidiu chamar o novo pacote de medidas de fase emergencial, sem alusão a cores, o que mostra quão grave é a situação do Estado. Trata-se, de fato, de uma situação de emergência, de vida ou morte.

A fase emergencial valerá de 15 a 30 de março e implicará a paralisação das atividades escolares, o fechamento de lojas de materiais de construção, restrições de retirada de pedidos em bares e restaurantes (o chamado “take away”), suspensão de atividades esportivas coletivas, como os jogos de futebol do Campeonato Paulista, e de celebrações religiosas que gerem aglomeração de fiéis.

O objetivo do governo paulista é aumentar o porcentual de isolamento social na fase emergencial para um patamar superior a 50%, considerado pelas autoridades sanitárias o mínimo necessário para deter o avanço do vírus. Estima-se que neste período de 15 dias cerca de 4 milhões de pessoas sairão das ruas.

É de suma importância que cada cidadão se una ao esforço coletivo de frear a disseminação do coronavírus em sua cidade, no seu Estado, no País. Por melhores e bem-intencionadas que sejam as medidas determinadas pelos governos nas três esferas, de nada elas valerão se a população não se engajar firmemente no seu cumprimento. Ao poder público, por sua vez, cabe fiscalizar com máximo rigor a observância às determinações legais.

Espera-se que atos de força jamais tenham de se sobrepor à consciência cidadã. Diante de um quadro tão terrível, a união dos cidadãos é vital para salvar vidas, como bem disse o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn. E até que a vacinação deslanche, devemos contar uns com os outros. 

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