Esperança renovada

Ao tomar posse como governador de São Paulo, João Doria apresentou amplo panorama do que pretende fazer

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2019 | 03h00

Ao tomar posse como governador de São Paulo, João Doria apresentou um amplo panorama do que pretende fazer nos próximos quatro anos. São propostas corajosas, que, se de fato forem realizadas, podem colocar o Estado de São Paulo num auspicioso caminho de desenvolvimento. João Doria prometeu reestruturar o governo e dar novas feições à prática política. “O Estado estará focado no que é sua real prioridade”, lembrando que a população quer serviços públicos de qualidade. “A política precisa trocar ideologia por trabalho”, afirmou.

O primeiro ponto do discurso de João Doria foi a promessa de trabalho conjunto entre Executivo e Legislativo. “Estarei presente (na Assembleia Legislativa) todos os meses por duas horas e meia conversando com todos os parlamentares, da situação e da oposição. (...) Quero com isso valorizar o diálogo, o contraditório e a prática democrática.”

Na esfera política, o novo governador enfrentará grave desafio relacionado a seu partido. João Doria defendeu a necessidade de uma reestruturação da legenda. “Vamos ajudar o PSDB a sintonizar com o novo Brasil”, disse. Mas “transformar – lembrou João Doria – não significa desrespeitar a história do PSDB”. De fato, seria uma grande perda que eventual mudança do PSDB conduzisse ao desvirtuamento da identidade original do partido. E se deve haver diálogo também com a oposição, com muito mais razão deve haver dentro da própria legenda.

Em tempos de forte polarização da sociedade, o governador enfatizou a necessidade de um governo que trabalha em prol de todos. “Na campanha, anunciamos que seria o governador de todos os brasileiros de São Paulo, dos que votaram em nós e dos que não votaram também. (...) Por isso, todos os que quiserem fazer um governo para o povo, entregando resultados, melhorando a saúde, a segurança, a educação e a infraestrutura de São Paulo, serão bem-vindos”, afirmou. Trata-se de um compromisso necessário, em linha com os chamados pela renovação das práticas políticas. O interesse público deve ser o critério fundamental das políticas públicas e das negociações e alianças partidárias.

Segundo João Doria, a prioridade de seu governo será melhorar a educação, a saúde e a segurança. O governador também prometeu “apoiar as iniciativas que promovam o progresso do Brasil. Vamos apoiar a reforma da Previdência, a reforma fiscal, a manutenção da reforma trabalhista, o Pacto Federativo e as privatizações”.

O governador anunciou um amplo programa de desestatização, com parcerias público-privadas, concessões e privatizações. Ciente de que o tema suscita constante oposição de alguns setores, João Doria avisou que levará adiante o programa “sem medo de cara feia, sem medo de bandeiras vermelhas, sem medo daqueles que têm posições distintas”. A promessa é de que o Estado de São Paulo “não vai gastar recurso público em áreas que podem produzir melhores resultados quando geridas pela iniciativa privada”, disse o governador.

João Doria também anunciou a implantação de uma nova cultura de trabalho na administração estadual. “A partir de hoje, o Palácio dos Bandeirantes será o Palácio do Trabalho, onde vai se trabalhar – e muito. Aqueles que se dirigirem ao Palácio dos Bandeirantes não esperem reuniões modorrentas, excesso de café, de água e assento em sofás. Esperem trabalho. E, por favor, tragam propostas reais de trabalho, objetivamente”, disse.

Em relação ao novo secretariado, João Doria afirmou que “fomos buscar os melhores nomes para compor nosso governo”. De fato, não há motivo para que a administração estadual paulista não tenha um secretariado de primeiríssimo nível. E essa característica do novo governo é também um elemento de esperança para a população.

Cabe agora a Doria a responsabilidade de não frustrar a confiança recebida nas urnas. A população, como lembrou o governador, “quer um governo eficiente, de resultados”. É o que dele se exigirá ao longo dos próximos quatro anos.

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