Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Na ONU

O artigo Exemplo para o mundo (21/9, B2), de Adriano Pires, vem amplificar a verdade sobre a ação do Brasil na preservação do meio ambiente. Seria de bom alvitre que alguma cabeça pensante do atual governo sugerisse ao sr. Jair Bolsonaro que, em lugar de um discurso vazio brotado da cabeça (?) do nosso chanceler, lesse na sessão de abertura da Assembleia-Geral da ONU um ou alguns desses artigos escritos por especialistas no assunto, com base em dados oficiais. Será que o sr. Emmanuel Macron diria, como disse do presidente do Brasil, que esses articulistas são também mentirosos? E, en passant, caberia perguntar ao sr. Macron onde é que a França descarta o lixo nuclear responsável pela geração de 72% (!) de sua energia elétrica. Será no seu território europeu ou nas suas (ainda) colônias? Já que, com o oba-oba sobre a Amazônia, os olhos de todo o mundo estarão voltados para esse evento da ONU, poderia ser até bem divertido. Revelaria a face oculta da veracidade desse senhor e de outros que propugnam por tutelar a Amazônia.

RICARDO HANNA

ricardohanna@bol.com.br

São Paulo

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Pode ser que o presidente Jair Bolsonaro não fale na ONU o que mundo queira ouvir. Mas, mesmo após quatro cirurgias, pode mostrar que tem força para defender um país que parece ser de todos, menos dos brasileiros honestos.

CARLOS GASPAR

carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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Nossa soberania?

Se é tanta assim a preocupação com a nossa soberania sobre a Amazônia e suas riquezas, qual é mesmo a política de vigilância contra os predadores nacionais que devastam, ateiam fogo, matam a fauna e a flora, exploram minérios, roubam árvores centenárias e se apossam de terras, tudo ilegalmente, em benefício próprio? Quantos fiscais temos, se a verba investida para cuidar dessa preciosidade é mínima? Isso é que é zelar pela nossa soberania? E ainda temos de ouvir essa cantilena repetida à exaustão de quem enche o peito para dizer que a Amazônia pertence a nós. Nós quem, cara-pálida?

ELIANA FRANÇA LEME

efleme@gmail.com

Campinas

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Não é só na Amazônia

Há incêndios em todos os países, mas nosso Brasil é campeão. Ninguém esquece o Andraus e o Joelma, em São Paulo.

Em Porto Alegre, presenciei o terrível incêndio do Edifício Renner e o das Lojas Americanas, com muitos mortos, e do Grande Hotel. Nos anos recentes, grandes incêndios se repetem, cada vez mais seguidos, neste país que queima tudo por absoluta falta de cuidados e prevenção. Queimamos nossos museus mais importantes. Queimamos nossa memória. E estamos queimando nosso futuro. Queimar a Floresta Amazônica é matar o Brasil. Somos os verdadeiros demolidores do futuro.

PAULO SERGIO ARISI

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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Diplomacia de resultados

Logo depois da eclosão da crise amazônica, lembro-me de ter havido uma visita do nosso chanceler à Casa Branca, acompanhado do futuro (?) embaixador nos EUA, em busca de ajuda, segundo que se noticiava. A visita não constou da agenda do dia do presidente americano nem mereceu menção quanto a resultados. Agora o nosso presidente, estando em Nova York, deve jantar com “o Trump”, como ele diz. Haverá algum resultado desta vez? Presumo que o nosso futuro embaixador participe do jantar, quem sabe, preparando alguns hambúrgueres, o que deve ajudar bastante.

PERCY G. FREYTAG

pgfreytag@terra.com.br

São Paulo

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DEMOCRACIA

Papel do Judiciário

Nestes tempos estranhos que vivemos, quando o Supremo Tribunal muitas vezes é acusado de tomar decisões arbitrárias, polêmicas e questionáveis, cabe reproduzir o que bem disse sobre a democracia o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF. “A democracia não é feita apenas de consensos, mas também de conflitos. Ela é o lugar de desacordos morais razoáveis, se abre ao dissenso e apreende com o pensamento diferente. Juiz não assume protagonismo retórico da acusação nem da defesa, não carimba denúncia nem se seduz por argumentos de ocasião. Juiz não condena nem absolve por discricionarismos pessoais. Sua consciência são os limites racionais do ordenamento jurídico, seus deveres prestam contas na fundamentação de suas decisões, na coerência de seus julgados, jamais fazendo da teoria normativa um tablado de teoria política. Para funcionar, a democracia depende de regras que garantam a divergência, a possibilidade de pensar e ser outro. Faz isso por meio de uma complexa rede de instituições políticas. A Constituição garante autonomia aos Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. Garante independência ao Ministério Público e às Cortes de Contas para fiscalizar os agentes e atos públicos. Há dissensos, mas não há bloqueios aos direitos fundamentais, à ordem econômica, à liberdade e à democracia. Este é o país que temos, com íntegro funcionamento de sua Corte Constitucional.” Com efeito, suas palavras não poderiam soar mais apropriadas e oportunas, não é mesmo?

J. S. DECOL

decoljs@gmail.com

São Paulo

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PETROBRÁS

Dinheiro privado confiscado

Conforme a Lei 6.404/76, a Lei das Sociedades Anônimas, artigo 189, quando uma empresa tem prejuízo acumulado, ao alcançar lucro, mesmo que parcial, esse tanto deve servir para abater o referido prejuízo acumulado. Em aditamento ao editorial O dinheiro da Lava Jato (21/9, A3), o montante recuperado dos EUA deveria ter ido direto para os cofres da Petrobrás, a fim de ajudar a sanear o prejuízo ou melhorar a empresa e, claro, adicionar valor para os acionistas. O fundamento maior da lei é que o acionista e a empresa sejam remunerados em face da aplicação feita. Enfim, esse dinheiro é privado e não poderia jamais ter tido destino público.

CARLOS ROBERTO SALIMENO

profsalimeno@ig.com.br

São Paulo

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TRÂNSITO

Mototáxis

Foi autorizado o funcionamento de mototáxis em São Paulo sem se criarem condições mínimas de segurança para os usuários. Novamente, em vez de acelerar obras paradas de infraestrutura, as decisões foram pelo caminho mais fácil. Daqui a pouco, motofaixas e faixas específicas para tuc tucs motorizados tomarão o espaço dos automóveis. E viva o progresso!

EDDA SIGNE MOBUS

signe@terra.com.br

São Paulo.

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