Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 03h00

Corrupção

No grito

Ao ser questionado por um jornalista sobre os repasses de R$ 89 mil feitos para a primeira-dama Michelle por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o presidente da República perdeu a compostura: “Vontade de encher tua boca de porrada!”. Por isso dá para entender por que para ocupar determinados cargos públicos são exigidas certas condições pessoais, como ilibada conduta, posse de méritos, transparência e não uso de nepotismo, além de se comportar com civilidade, respeito e dignidade pessoal. Mas o que não dá para entender mesmo é alguém achar que um personalismo avesso às convenções sociais e políticas garantirá um promissor futuro, apenas porque no Brasil, infelizmente, muitas coisas ainda são ganhas no grito.

MARCELO GOMES JORGE FERES

MARCELO.GOMES.JORGE.FERES@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

*

Grosserias

Os palavrões e grosserias de Jair Bolsonaro atestam que ele não foi bem educado e não tem estatura moral para ser presidente da República. Estamos cansados e desapontados com esse governo.

ETELVINO JOSÉ HENRIQUES BECHARA

EJHBECHARA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Destempero

“Encher de porrada” é fácil. Difícil é explicar os cheques. E isso coloca qualquer um em xeque. Mate ou não, eis a questão.

A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Galo de briga

Nosso “glorioso presidente” reage com ameaças a uma singela pergunta. Perguntar ofende? Ao nosso Messias, sim. E a reação não poderia ser pior. Age o cidadão sem equilíbrio. Mas como explicar o inexplicável, não é? Lembrei-me do velho dito de que contra a força do argumento existe o argumento da força. Simplesmente lamentável e indecoroso. Será que Bolsonaro quer saber o que estamos com vontade de fazer com ele?

RENATO AMARAL CAMARGO

NATUSCAMARGO@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

*

Rachadinha

O presidente da República não consegue responder de maneira equilibrada a uma pergunta de jornalista acerca da origem do dinheiro recebido do operador de rachadinha, Fabrício Queiroz, pela primeira-dama. Relembrando os tempos sombrios da ditadura, quando o general Newton Cruz destratava os jornalistas, ameaçando-os quando inquirido sobre assuntos que não apreciava, Jair Bolsonaro deu um show de estupidez ao dizer ter vontade de “dar uma porrada” no repórter. É o fim da picada! Bolsonaro comporta-se como um Napoleão de hospício e a sociedade composta pelas pessoas que têm um mínimo de discernimento (não a que baba ovo para qualquer parvoíce dita pelo tirano de botequim) tem de pôr uma camisa de força no primeiro mandatário do País. É uma vergonha.

ARNALDO LUIZ CORRÊA

ARNALDOCORREA@HOTMAIL.COM

SANTOS

*

De vontades

A manifestação do lunático que está lá no Planalto – “Tenho vontade de encher sua boca de porrada” – é a definição perfeita do estágio de democracia em que vivemos.

NELSON PENTEADO DE CASTRO

PENTECAS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

O presidente e a imprensa

Como disse Abraham Lincoln, você pode enganar uma pessoa por muito tempo, algumas por algum tempo, mas não consegue enganar todas por todo o tempo. A tentativa de Bolsonaro de fingir estar de boa com a imprensa não durou quase nada. Não enganou ninguém.

M. DO CARMO ZAFFALON LEME CARDOSO

ZAFFALON@UOL.COM.BR

BAURU

*

Desgoverno Bolsonaro

Reeleição em primeiro lugar

Sou um dos ex-bolsonaristas que evitaram que o PT continuasse no poder. Esperava que Bolsonaro cumprisse a promessa de mudar o sistema tradicional de governar o País. A nova administração até que começou bem, parecia que ia acabar com o “toma lá dá cá”. Puro engano, não resistiu a velha maneira de governar e voltou ao sistema de coalizão com força total. Hoje não tem nada que vise à mudança para melhor, só há um plano: reeleger Bolsonaro em 2022. É a prioridade número um. O restante passou para segundo plano, virou coisa de somenos importância. A vitória do governo ao vetar o projeto de aumento salarial dos funcionários públicos fortaleceu o entusiasmo dos atuais bolsonaristas. Mas os demais brasileiros ainda esperam as grandes mudanças que possam encaminhar o País para a retomada do crescimento. A meu ver, a saída é povo na rua pela mudança de foco para salvar o Brasil da estagnação.

TOSHIO ICIZUCA

TOSHIOICIZUCA@TERRA.COM.BR

PIRACICABA

*

Meio Ambiente

Amazônia

Congratulo o dr. Evaristo de Miranda pela excelente análise em Amazônia – realidade e soluções (22/8, A2). Participei da abertura da Transamazônica na construção de pontes entre Marabá, Tucuruí e Belo Monte, nos anos 1970, época em que já me expressava favorável a uma ferrovia em lugar da rodovia, por causar muito menos erosão e ser possível aproveitar, inicialmente, as centenas de marias-fumaça encostadas em todo o País, cujo combustível grátis – a lenha – estava sendo inutilmente destruído pelas queimadas da colonização ao longo da estrada. Acerca do trabalho do dr. Miranda gostaria de oferecer a opinião de que, antes de mais nada, todos os esforços sejam concentrados na preservação do que lá está, que é o mais urgente e, com razão, o foco das maiores pressões multilaterais. Uma vez implantada uma infraestrutura abrangente de proteção, então, sim, pode-se dar início, com o devido discernimento e sob atenuadas pressões, ao enfrentamento dos outros problemas locais, individualmente. Caso contrário, receio que tenhamos apenas muita confusão e pouca coerência.

JOHN CONINGHAM NETTO

MARIA.CONINGHAM@GMAIL.COM

CAMPINAS


CONTRA A DERRAMA


O Ministério da Economia promete para terça-feira o lançamento do programa Renda Brasil, mudando nome e valor do Bolsa Família do governo petista, que foi primeiramente Bolsa Escola do governo FHC. Prometendo aumentar o número de inscritos, após negar e cancelar grande número de famílias no programa vigente, o programa parece ter como objetivo a reeleição do presidente Bolsonaro, que viu sua popularidade crescer com o auxílio financeiro dado durante a pandemia. Como não há dinheiro para tanto, planeja-se um novo imposto, idêntico à CPMF, sobre as transações eletrônicas. O custo, mais uma vez, caberia a todos, incluindo os próprios beneficiados com o tal programa. Num momento em que a grande maioria das transações se realiza dessa forma, a sociedade deve se mobilizar urgentemente contra a criação de mais um imposto, pois não vimos até o momento nenhum movimento de enxugamento da máquina pública, nem os impostos que pagamos serem usados de maneira eficiente. A tal reforma administrativa, a diminuição da carga tributária, promessas de campanha, tornaram-se poeira, sempre prometidas e postergadas para a “próxima semana”, o “próximo ano”. A carga tributária do País bateu mais um recorde em 2019 pelo aumento dos gastos públicos. Nós sustentamos uma elite formada pelo funcionalismo público; membros dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Deles, nenhum “sacrifício” ou diminuição de benesses. A Inconfidência Mineira deveu-se contra a execução da derrama, e encontramo-nos na mesma situação. Chega!


Lucia Helena Flaquer lucia.flaquer@gmail.com

São Paulo


*

DESPREPARO PRESIDENCIAL


A liberdade da imprensa para informação da sociedade é um componente do sistema democrático, porém o presidente Jair Bolsonaro ignorou esse detalhe ao responder a um jornalista, no fim de semana, dizendo ter “vontade de encher sua boca de porrada”. Está aí mais uma prova do despreparo do presidente Bolsonaro, infelizmente.


Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas


*

PALAVRAS?


Sr. presidente Bolsonaro, se não tem argumentos, não apele para ignorância e falta de educação!


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


*

ARROUBO AUTORITÁRIO


Este novo destempero verbal autoritário do presidente Bolsonaro, ao ser indagado por um repórter sobre depósitos bancários em conta de sua mulher, é emblemático. Mostra a mente confusa e temerosa que tem sobre as responsabilidades que deveria ter para o exercício do cargo que ocupa. Felizmente, temos agora mecanismo democráticos adequados de controle para autoridades que extrapolem as normas constitucionais vigentes entre nós.


José de A. Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro


*

AMEAÇA A JORNALISTA


Quem nasceu para Bolsonaro não chega a Fernando Henrique. A honestidade, a tolerância, a prudência, a temperança são virtudes que se alicerçam no decorrer de uma vida por meio de seu constante exercício. Não é o cargo de presidente que muda o caráter do ator, ele apenas o revela e o transparece.


Fernando Hintz Greca greca.fernando@gmail.com

Curitiba


*

GROSSEIRO


Bolsonaro não tem compostura. Deslustra o cargo. É indigno dele.  Age como miliciano respondendo com patadas e ameaças ao repórter de O Globo. A missão do jornalista é perguntar. O homem público zeloso e educado responde ou não. Simples assim. Algum serviçal precisa desenhar para ele.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


*

BOLSONARO AMEAÇA


Procuram-se urgentemente jornalistas hábeis, que não façam as mesmas perguntas que eu, ou qualquer outro, faríamos.  Será que não sabem fazer outra coisa a não ser provar obsessivamente a natureza destemperada, deselegante e autoritária de Jair, índole que ele nunca escondeu, qualquer um sabe! Conformem-se: uns gostam dele assim, outros não. Mas, por favor, não colaborem para aumentar a sua popularidade, ao provocá-lo. Milhões acham lindo ele “defender a honra da esposa”. Será incapacidade jornalística ou ganham para fazer isso?


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


*

LÓGICA MILITAR


Bolsonaro trata a imprensa com lógica militar. Não se afagam os inimigos declarados...


Paulo Boccato pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos


*

CENA PAVOROSA


A gangue do laranjal quebrava todos os dentes da moralidade; enquanto isso, os milicianos cravejavam a justiça de balas e o bando da rachadinha moía os ossos da ética com pontapés. A moralidade, a justiça e a ética, companheiras inseparáveis, ficaram estendidas no chão, estropiadas e cobertas de sangue. Um jornalista que avistou a cena pavorosa e covarde, ao tentar intervir, ouviu de alguém que se destacava entre os criminosos: “Minha vontade é encher tua boca na porrada”.


Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte


*

CHEQUES DE QUEIROZ


Após ameaçar o repórter que perguntou sobre os cheques que Fabrício Queiroz deu à primeira-dama Michelle, o “santinho” Jair Bolsonaro voltou às suas origens, apesar da sua quietude dos últimos dias. Ora, bastou mexer com alguém da famiglia Bolsonaro, que ele imediatamente sai do prumo, confirmando a célebre reunião de 22 de abril. Afinal, tudo seria mais fácil se a verdade viesse à tona, mas Flávio, Carlos e Eduardo fazem questão de que a famiglia seja desacreditada – e, mesmo assim, Jair Bolsonaro continua pensando na reeleição. O Brasil não quer e não aceita mais essas maracutaias. Basta, presidente!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


*

TIRO NO PÉ


A reação desproporcional e autoritária do presidente Bolsonaro mostra, como qualquer estudante de Psicologia diria, que a carapuça coube perfeitamente e ele acha que não deve explicação a ninguém, hostilizando vergonhosamente jornalistas. Foi um tiro no pé!


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


*

PRIMEIRA PÁGINA


Todos os jornais brasileiros deveriam estampar em sua capa a seguinte pergunta ao presidente: “Presidente, por que sua esposa, Michelle, recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?”. Seria a mínima resposta a ato tão grotesco praticado por um chefe de Estado contra um jornalista no exercício de sua atividade informativa.


João Marcos Fernandes jmf.dentista@bol.com.br

Jandira


*

CHEQUES SUSPEITOS


O País aguarda resposta esclarecedora do presidente Bolsonaro sobre a origem e a razão dos 27 cheques depositados na conta de sua esposa, Michelle, por Fabrício Queiroz de 2011 a 2016. A falta de um esclarecimento factível será recebida como uma “porrada na cara” dos brasileiros. Com a palavra, Jair.


J. S. Decol  decoljs@gmail.com

São Paulo


*

PERGUNTAR NÃO OFENDE


Sr. presidente, e os depósitos na conta da Michelle?


Rodrigo Ibraim rodrigoibraim@gmail.com

Taboão da Serra


*

A MULHER DE BOLSONARO


Criado no ano 62 a.C., época do Império Romano, um famoso provérbio continua válido em pleno século 21, com as devidas adaptações nos protagonistas: “À mulher do presidente Bolsonaro não basta ser honesta, tem de parecer honesta”.


Abel Pires Rodrigues ablrod@terra.com.br

Rio de Janeiro


*

FESTA NO ALVORADA


A família Bolsonaro recebeu um grupo de pessoas no Palácio da Alvorada para uma festa de aniversário em homenagem a um amigo da primeira-dama.  Reunião em plena pandemia já soa um pouco estranho, entretanto, seria interessante também saber quem patrocinou esse evento. Foi o povo brasileiro, por meio do cartão corporativo do presidente da República? Não nos esqueçamos de que Bolsonaro se recusa a apresentar os gastos com referido cartão, gastos que dobraram nos primeiros quatro meses de 2020. Mas, dirão muitos, era só uma festinha, para que tanta implicância? Mas num país onde há 10,9 milhões de desempregados; mais de 114 mil mortos pela pandemia de coronavírus, ainda em curso (incluindo nesse rol a avó de Michelle Bolsonaro, morta há poucos dias); onde a desigualdade social é ultrajante e os R$ 600 do auxílio emergencial (que fez o presidente mais popular) serve para todos os gastos familiares? Ah! Perdoem-me a impertinência, mas era hora para festinha?


Eni Maria Martin de Carvalho enimartin@uol.com.br

Botucatu


*

UM LINDO SONHO NUMA NOITE DE VERÃO


Perfeita a síntese que o excelente jornalista Carlos Alberto Di Franco faz no seu artigo STF, Lava Jato e Corrupção (Estado, 24/8, A2) com a frase: “E o combate à corrupção, indissociável da Operação Lava Jato, pode ficar como um lindo sonho numa noite de verão”. Inicia com a soberba do ministro Dias Toffoli, e, baseando-se em decisões de ministros do Supremo e no editorial da Gazeta do Povo, faz uma análise que demonstra como os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski trabalham para “criminalizar” o ex-juiz Sergio Moro com o intuito de anular as condenações de Lula, liberando Lula para candidatar-se em 2022, certamente criando condições para um embate Lula x Bolsonaro, o melhor cenário para o atual presidente. Por sinal, este retorna às manchetes da UOL de 22/8/2020 com dois fatos interligados: 1) a revista Crusoé publica detalhes dos depósitos de Queiroz na conta da sra. Michelle Bolsonaro; e 2) o destempero do presidente Bolsonaro, já comprovado na vergonhosa reunião ministerial de 22 de abril último – suficiente para afastá-lo do cargo. A uma pergunta de um repórter sobre as rachadinhas de Queiroz, confessa: “Minha vontade é encher tua boca com uma porrada”. Essa atitude, que fala por si só, inadmissível a um presidente da República, permite uma cândida pergunta ao presidente: por que o Queiroz lhe preocupa tanto?  


Antonio Carlos Gomes da Silva acarlosgs@uol.com.br

São Paulo


*

ELUCUBRAÇÃO MENTAL


Li o artigo de Carlos Alberto Di Franco de 24/8 (STF, Lava Jato e corrupção) criticando o Supremo, nominadamente, entre outros ministros, Gilmar Mendes, a única indicação de Fernando Henrique Cardoso na composição atual do tribunal. Gostaria de poder ler os pensamentos de FHC para saber se ele não se arrependeu de ter removido Geraldo Quintão, então chefe da AGU (e de Gilmar) para ministro da Defesa. Se não o tivesse feito, teria indicado Quintão para o STF?


F. G. Salgado Cesar fgscesar@hotmail.com

Guarujá


*

AMAZÔNIA: A SOLUÇÃO É AGORA


No Estadão de 22/8, Evaristo de Miranda defende a necessidade de um “plano de ação” para o desenvolvimento sustentável na região Amazônica, lembrando assertivamente que o último aconteceu há 25 anos. Desde já, concordo integralmente que nunca é demais termos estudos, pesquisas, levantamentos e qualquer tipo de produção acadêmico-científica visando a sustentar e apoiar diretrizes para as políticas pública de desenvolvimento regional. Mas há soluções extremamente óbvias e urgentes que não exigem sequer discussão, e sim ação. Dias atrás, voltei ao Acre, após dez anos. Supreendentemente, alguns temas continuam como eram há uma década. Na merenda escolar, continuam sendo oferecidas maçãs do Rio Grande do Sul e suco de laranja paulista. Nas gôndolas dos supermercados, encontramos fartamente kiwis da Nova Zelândia e peras argentinas, mas é praticamente impossível conseguir comprar cupuaçu, araçá-boi, camu-camu ou patoá. Há água Perrier e São Pellegrino, mas não há águas minerais amazônicas. Há mel de São Paulo e de Minas Gerais, mas não há mel de abelhas nativas sem ferrão. Pior ainda, o leite fornecido às crianças na merenda escolar, na sua grande maioria, vem de Rondônia, uma vez que não há sequer uma máquina de tetra pack no Estado, apesar do considerável rebanho no Estado. Acre está a apenas 1.500 km do porto de Ilo, no Peru, podendo ser de fato a saída para o Pacífico do agronegócio brasileiro. Contudo, a estrutura precária e a total falta de manutenção da malha rodoviário no Acre acrescentam mais um ponto que não precisa de discussão, e sim de ação, diante da sua importância estratégica. E vou mais adiante, me chamou a atenção que, apesar da excelente madeira regional, obviamente cortada com responsabilidade social e ambiental, constatei que o mobiliário de algumas repartições públicas tem mesas produzidas na China ou, com sorte, no Sudeste do Brasil. O Acre tem a segunda população de bambus, perdendo somente para a China, mas os móveis deste material estão apenas nos estudos da Embrapa. Em 2008, fui contratada para orientar diferentes políticas de inovação no Acre. Na minha visão, a maior inovação que podemos provocar é o reformular das perguntas, o olhar fora da caixa, o questionar o que fazemos e por que o fazemos. Já naquele momento discuti e achei ter convencido ao governo a mudar os catálogos da merenda escolar, priorizando as frutas locais; mudar os catálogos de itens de escritório, deixando de comprar acrílico produzido na China e comprando produtos com matéria-prima local. Relatórios foram entregues, consultorias foram pagas, mas o óbvio continua sem ser implementado. A única forma de termos uma saída real para a região amazônica é “retrofitando” as visões e conscientizando o setor público a fazer o que já foi exaustivamente discutido, planejado, estudado, acordado e aceito consensualmente: priorizar os recursos amazônicos no desenvolvimento responsável da Amazônia. O setor privado nacional e internacional está ávido para gerar novos negócios: a Amazônia é um enorme quintal a ser explorado, obviamente de forma sustentável, com um jogo de ganha-ganha para todos: empresários, setor público e sociedade. Mudar o que o Estado compra é peremptório. Ser o primeiro a dar valor à verdadeira riqueza da região é urgente e óbvio por demais. Não basta apenas punir o desmatamento ilegal, mas é urgente criar mercados e dar o exemplo. Não adianta chorar sobre leite derramado, precisamos evitar que isso aconteça de novo e de novo, deixando a porteira aberta para a boiada passar. Vender frutas amazônicas ou água mineral precisa ser um negócio muito maior que simplesmente desmatar para colocar gado sobre as terras desnudas. Um amigo argentino que estava comigo na viagem ensinou alguns acreanos a fazer leite de castanhas. Em geral, se vendem apenas descascadas e desidratadas, agregando pouquíssimo valor. O mercado de leites vegetais cresceu 40% só no Brasil, em 2019. Mas ainda não temos uma única fábrica de leite de castanhas do Brasil. O Estado pode, sim, viabilizar mercados, tornar escalável e rentável manter cadeias produtivas atreladas ao extrativismo. Pode, sim, de forma imediata e urgente, priorizar a saída pelo Pacífico viabilizando a exportação de águas, leites vegetais e sucos para Europa e Estados Unidos a custos logísticos mais atrativos. Recursos? Sabemos que há o suficiente, é só fazer as escolhas certas e deixar de priorizar o pagamento de penduricalhos salariais para o Poder Judiciário, órgãos de controle e Legislativo e usar esses recursos para apoiar ao setor privado, ávido por desenvolver negócios sustentáveis. Do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), do Banco do Amazonas, R$ 492 milhões estão destinados para o Acre em 2020. Entretanto, falta tropicalizar a leitura e ajustar as lentes da análise dos projetos para vão receber esses investimentos no Estado, lembrando que não estamos em Miami ou no Sudeste do País e que há soluções plausível o risco de empreender num ambiente de negócios que ainda precisa de muito amadurecimento. Exige dos empresários garantias de 130% e integralização do capital social, da metade do valor solicitado, já nos primeiros meses do desembolso. Os bancos privados oferecem condições melhores para compra de equipamentos. Há muito a fazer e a realidade exige urgência no processo de tomada de decisões. Sabemos o que deve ser feito e o momento é agora.


Florencia Ferrer e Simone Pasianotto simone.pasianotto@reag.com.br

São Paulo


*

‘SEM DÓ NEM PIEDADE’


recente artigo de Eliane Cantanhêde foca com maestria o verdadeiro circo de horrores que foi criado em torno de uma menina de 10 anos que engravidou do tio, que abusava dela desde os 6 anos. Sem dó nem piedade, formaram-se multidões para aos gritos de “assassina” quererem impedir a interrupção desta gravidez. Aliás, o procedimento de interrupção da gravidez neste caso é previsto no nosso Código Penal, uma vez que foi indesejada e mediante violência. Como se não bastasse, Sarah Geromini, aos gritos, deu nome e endereço da menina e do hospital que a atendia. Ela, sempre arruaceira profissional, usou de uma maldade incomum tachando a pobre criança e marcando para sempre sua vida. Mais do que necessário que responda por este crime.


Silvia Takeshita de Toledo silviattoledo@hotmail.com

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.