Horizonte menos nublado

Boas notícias no mercado internacional e um pouco menos de pessimismo no Brasil marcaram o começo da semana

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 03h00

Boas notícias no mercado internacional e um pouco menos de pessimismo no Brasil marcaram o começo da semana, depois de uma quinzena assombrada pelo temor de uma nova recessão global. Todos poderão ganhar, se os fatos confirmarem os sinais animadores da China e da Alemanha e se houver, enfim, uma trégua prolongada entre os governos americano e chinês. No caso do Brasil, as expectativas pouco mudaram, mas o mau humor dos analistas parece ter chegado a um limite. O crescimento econômico baterá em 0,83% neste ano e em 2,20% no próximo, segundo projeções do mercado financeiro e das grandes consultorias. Há uma semana as estimativas indicavam expansão de 0,81% em 2019 e 2,10% em 2020, segundo o boletim Focus do Banco Central (BC). As perspectivas ainda são ruins, especialmente num país com 25 milhões de desempregados, subempregados e desalentados. O governo continua devendo medidas para animar os negócios, mas qualquer indício positivo, nesta altura, pode fazer diferença. 

Qualquer melhora do lado externo também pode ser relevante, porque o comércio brasileiro, embora ainda superavitário, tem perdido vigor nos últimos meses. A crise na Argentina, importante mercado para as exportações brasileiras de manufaturados, continua impondo perdas à indústria do Brasil. O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, parece menosprezar o comércio de seu país com o maior parceiro sul-americano, mas ele poderia ter alguma surpresa se pedisse, por exemplo, a opinião do pessoal da indústria automobilística. 

A Argentina continuará em dificuldades por algum tempo, e também por isso é muito importante a melhora de perspectivas na China, maior compradora de produtos agropecuários brasileiros, e da Alemanha, um dos mais importantes mercados para exportações do Brasil. O governo chinês anunciou medidas para facilitar o crédito ao setor privado. Com isso, a atividade da China, uma das principais locomotivas da economia mundial, deverá revigorar-se. No caso da Alemanha, a boa novidade é a declaração do ministro de Finanças, Olaf Scholz, sobre a possível liberação de cerca de 50 bilhões de euros do Tesouro para gastos extras. Segundo recente relatório oficial, no segundo trimestre o Produto Interno Bruto (PIB) alemão foi 0,1% menor que no primeiro. No caso da China, as notícias haviam sido de crescimento industrial abaixo do previsto. 

A melhora do cenário será bem mais sensível se os governos americano e chinês abandonarem a guerra comercial ou, no mínimo, tentarem uma trégua prolongada e com possibilidade razoável de levar a uma pacificação. Negociadores americanos e chineses voltarão a conversar em uma semana ou, talvez, em dez dias, segundo informou em entrevista à Fox News o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow. Iniciada há mais de um ano, essa guerra espalhou insegurança nos mercados e prejudicou a expansão dos investimentos e do comércio internacional, impondo, portanto, uma trava ao crescimento da economia global. 

Nos mercados, o começo da semana foi também marcado pela expectativa em relação às próximas atas do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Banco Central Europeu (BCE). Está prevista para quarta-feira a publicação do texto do Fed. O do BCE deve sair no dia seguinte. Os dois documentos poderão trazer, segundo se espera, indicações mais claras sobre como ficarão os juros nos dois maiores mercados do mundo rico nos próximos meses. As perspectivas são de preços muito bem comportados nos Estados Unidos e na Europa. Deve haver espaço, de acordo com muitos analistas, para políticas de juros frouxas e estimulantes nos dois lados do Atlântico Norte. 

Mais do que em qualquer outro momento, empresários brasileiros devem estar prontos para aproveitar oportunidades no mercado internacional. Mas seu trabalho poderá ficar complicado se o presidente Jair Bolsonaro continuar dando argumentos ao protecionismo agrícola e falando de forma imprudente sobre os parceiros comerciais do Brasil. 

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