Inteligência artificial

O Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial terá um investimento anual de US$ 20 milhões previsto para um período de dez anos e contará com cerca de 60 pesquisadores

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2020 | 03h00

Em mais uma importante parceria entre instituições de ensino, agências de fomento a pesquisa e empresas privadas, a Universidade de São Paulo (USP), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a IBM uniram-se para lançar o Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial. O que as levou a tomar essa iniciativa é a ideia de que o Brasil pode ser um país produtor e não apenas consumidor de inteligência artificial (IA). 

Sediado nas dependências do InovaUSP, na Cidade Universitária, em São Paulo, e com uma unidade em São Carlos, onde a instituição mantém 19 programas de pós-graduação nas áreas de engenharia, física, química, matemática, computação e arquitetura, o Centro terá um investimento anual de US$ 20 milhões previsto para um período de dez anos e contará com cerca de 60 pesquisadores. O início das atividades está previsto para os primeiros meses de 2020 e elas envolverão uma rede de instituições de ponta, como a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Pontifícia

Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), o Centro Universitário FEI e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). 

Entre suas prioridades, o Centro desenvolverá pesquisas na chamada agricultura de precisão, para aumentar a produtividade e reduzir o consumo de defensivos agrícolas. Também atuará no campo da saúde, com foco na prevenção de acidentes vasculares cerebrais, e no campo de recursos naturais, com foco na exploração de óleo e gás. 

Além de pesquisas, o Centro pretende difundir informações sobre IA nas redes sociais, para atrair estudantes do ensino médio e, com isso, começar a formar mão de obra de que o País tanto necessita nessa área. Com o mesmo objetivo, o Instituto de Física da USP, em São Carlos, firmou parceria com a Diretoria Regional de Ensino, permitindo que alunos desse ciclo frequentem seus laboratórios dois meses por ano, trabalhando ao lado de estudantes do curso de Licenciatura em Exatas. O programa foi criado para oferecer informações adicionais aos alunos do ensino médio, muitos dos quais trabalharão no futuro com IA. “Hoje tem muita ficção científica. Precisamos de gente que conheça e não tenha medo da inteligência artificial”, diz Fernando Osório, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos.

A exemplo da parceria firmada pela USP, Fapesp e IBM, em São Paulo, 15 outras entidades – como a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Universidade Federal de São Carlos, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná – criaram há meses um instituto avançado na área de IA, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Paraná e da Serasa Experian. O instituto oferecerá às empresas cursos de aplicações em processamento de imagens, redes neurais avançadas e análise de fraudes no sistema eletrônico por meio de imagem de satélite. Outras instituições, como a Universidade Federal de Pelotas, também começaram a trabalhar com inovação e difusão de conhecimento em IA. 

São iniciativas decisivas para o futuro do País, que tem condições, segundo os especialistas, de figurar entre os dez maiores no movimento de entender, aplicar e obter lucro com IA. Com a velocidade das transformações tecnológicas, as empresas precisam encontrar profissionais qualificados no mercado, cuja formação cabe às universidades. Atualmente, o número de engenheiros brasileiros em ciência da computação representa apenas um décimo do contingente existente na China e nos Estados Unidos. Já as universidades precisam de apoio das empresas para obter tecnologia em IA. Enquanto o governo perde tempo com patrulhamento ideológico e denúncias infundadas contra universidades, a academia e o setor privado agem de modo sensato, unindo-se para desenvolver tecnologia de ponta e formar capital humano, condição indispensável para a passagem da economia brasileira a níveis mais sofisticados de produção.

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