Jovens eleitores, jovens cidadãos

País tem número recorde de jovens de 16 a 18 anos que solicitaram o primeiro título de eleitor para votar em outubro

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2022 | 03h05

Em tempos tão sombrios para a vida democrática do País, veio da juventude brasileira uma demonstração de força e apreço pelo direito ao voto. Nos primeiros quatro meses deste ano, um número recorde de jovens de 16 a 18 anos solicitou a emissão do seu primeiro título de eleitor. Mais de 2 milhões de adolescentes, no Brasil inteiro, deixaram claro que querem votar nas eleições de outubro. Aumento de 47% em relação ao mesmo período de 2018, ano do último pleito presidencial.

A democracia envolve muito mais do que o direito ao voto. Mas também é verdade que não há democracia sem a prerrogativa de votar, isto é, poder escolher quem vai, ou não, governar. Por isso, quem preza a vida democrática deve celebrar o balanço do alistamento de jovens eleitores divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os mesmos dados deveriam ser olhados com atenção também por quem sai às ruas, sobe às tribunas ou usa as redes sociais para defender pautas antidemocráticas − prática adotada, infelizmente, pelo atual presidente da República e por muitos de seus seguidores.

No Brasil, o voto é obrigatório dos 18 aos 70 anos, de maneira que eleitores que não comparecem no dia da votação precisam justificar a ausência. Eis aí algo que torna os dados de ontem mais especiais: dentre os novos 2.042.817 jovens que procuraram a Justiça Eleitoral para solicitar o primeiro título de eleitor, grande parte tem 16 ou 17 anos, faixa etária em que o voto é facultativo. Até mesmo adolescentes de 15 anos hão de constar nessa estatística, já que uma resolução do TSE autorizou jovens nessa idade a requerer o título − embora só possam votar aqueles que completarem 16 anos até a data de realização do primeiro turno.

Qualquer eleição só se define no dia da votação. Mas, por óbvio, tudo começa bem antes, como demonstrou a mobilização dos jovens brasileiros em torno do alistamento eleitoral. O tema, claro, virou motivo de disputa nas campanhas dos pré-candidatos Lula e Bolsonaro. E contou com o engajamento de celebridades dentro e fora do Brasil. Conforme mostrou o Estadão, atores estrangeiros como Mark Ruffallo (o Hulk dos cinemas), Mark Hamill (o Luke Skywalker de Guerra nas Estrelas) e Leonardo Di Caprio, além da cantora Anitta, entre outros, foram para as redes sociais convocar a juventude a tirar o título de eleitor.

Alvo constante de ataques da máquina bolsonarista, o presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, celebrou os novos números, lembrando que se trata de balanço preliminar, sujeito a alterações − dados consolidados serão divulgados em julho. “Vimos, como há muito não se via, um país unido pelo bem e fortalecimento da democracia”, disse ele ao abrir sessão no plenário do tribunal.

Entre os novos eleitores, há quem nasceu em 2006 e, portanto, terá 16 anos quando se deparar com a urna eletrônica no próximo dia 2 de outubro. Que tamanha juventude ajude a trazer um sopro de renovação.

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