Lula promete arruinar a Petrobras

Lula rejeita a política de desinvestimento da Petrobras que vem permitindo à empresa se reerguer depois do saque do PT. Prometeu a volta da velha política petista

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2022 | 03h00

Lula da Silva falando sobre como a Petrobras deve funcionar é o equivalente a Jair Bolsonaro discorrendo sobre as melhores práticas em defesa dos direitos humanos. É um deboche que o PT, depois do assalto e do aparelhamento político que realizou na petroleira, deixando-a endividada e vulnerável aos mais diversos aproveitadores, venha dizer ao País o que deve ser feito na empresa.

Diante de tudo o que foi revelado – e, vale lembrar, nada foi negado pela Justiça –, Lula deveria pedir perdão aos brasileiros pelo que seu partido fez com a petrolífera. No entanto, além de agir como se o petrolão não tivesse existido, como se o País não tivesse presenciado a brutal história de corrupção envolvendo o PT e a Petrobras, o ex-presidente anunciou que, caso volte ao poder, retomará os mesmos passos que levaram a empresa ao endividamento recorde e ao seu aparelhamento político.

Na terça-feira, Lula chamou de “destruição da Petrobras” o plano de desinvestimentos que vem sendo implementado desde o governo de Michel Temer e precisamente tem permitido à empresa reequilibrar sua dívida e retomar sua vitalidade. “Esse país precisa ter novas refinarias, ou pegar as que estão velhas e sucateadas e fazer uma renovação nelas”, disse, em defesa da antiga política petista de expansão de refino. Ou seja, Lula quer a volta da política que ajudou a produzir os escândalos e os bilionários prejuízos da Petrobras. É assombroso. 

O ex-presidente petista prometeu também a reedição da “política de fortalecimento das empresas nacionais”. O País bem sabe o que isso significa num governo do PT. Não é fortalecimento do ambiente de negócios, aumento da produtividade nacional ou mesmo inserção da indústria nas cadeias de produção global. É, ao contrário, aquele ambiente fechado e atrasado, no qual políticos detêm poder discricionário sobre a atividade econômica, estabelecendo incentivos para alguns poucos amigos que, depois, são instados a retribuir ao partido e a suas lideranças as benesses recebidas.

Segundo Lula, é preciso “construir uma narrativa” diferente a respeito da relação entre o PT e a Petrobras. A tal narrativa petista, que Lula pede à militância que difunda País afora, é manifesta desinformação, misturando negacionismo com teoria da conspiração. O líder petista quer que os brasileiros se esqueçam das evidências trazidas por investigações policiais, confissões e mesmo devoluções de dinheiro desviado, e acreditem que a Petrobras teria sido saqueada não pelo PT, por Eduardo Cunha ou por tantos condenados no esquema do petrolão, mas pela Lava Jato em parceria com os Estados Unidos. Parece loucura, mas essa é a tese petista: a Lava Jato e os Estados Unidos seriam os causadores do rombo da Petrobras.

Por óbvio, Lula não tem nenhuma solução a oferecer sobre a Petrobras ou mesmo sobre política de preço de combustíveis. Recorre à alta da gasolina apenas para desinformar e para propagar propostas populistas, que, além de equivocadas, são o ambiente propício para a corrupção e o aparelhamento da máquina pública. “Quando o petróleo é nosso, a gasolina é mais barata, o óleo diesel é mais barato, o gás é mais barato”, disse Lula, reiterando a tese petista de que o aumento dos combustíveis seria causado pelo repasse do lucro aos acionistas da Petrobras.

Perante tantas patranhas, é útil recordar algumas verdades fundamentais, como fez o ainda presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, justamente no mesmo dia em que Lula prometia bagunçar a Petrobras para atender a seus projetos de poder. Lembrou que, por lei, a petroleira “não pode fazer política pública” com os preços dos combustíveis e “menos ainda” política partidária. “Empresas que tabelaram combustíveis tiveram perda de capacidade de investimento”, disse. “Essa dívida ‘monstra’ da Petrobras foi de tabelamento de preço.” Foi por pensar assim, em primeiro lugar na Petrobras e no País, deixando em segundo plano os imperativos eleitoreiros do presidente Bolsonaro, que Silva e Luna foi demitido – e, fosse Lula o presidente, teria tido o mesmo destino.

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