Mais emprego, menos desalento

Condições de emprego melhoram, mas a desocupação ainda supera os níveis das economias emergentes e avançadas

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2022 | 03h05

Animada pela reação do setor de serviços, a economia criou 699 mil postos de trabalho no trimestre móvel de fevereiro a abril. Com isso, a desocupação caiu para 10,5%, com recuo de 0,7 ponto porcentual em relação à taxa do trimestre encerrado em janeiro (11,2%). Condições de emprego mais favoráveis são o melhor efeito conhecido, até agora, da movimentação dos negócios observada nos primeiros meses do ano. A população em busca de um posto de trabalho diminuiu de 12 milhões para cerca de 11,3 milhões de pessoas na transição entre os dois períodos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também isso justifica melhores projeções econômicas para 2022, mas ainda é arriscado, como advertem analistas, apostar em taxas superiores a 2%. Pesquisas têm apontado uma piora das expectativas.

Não só a fila dos desempregados encolheu no período fevereiro-abril. O contingente das pessoas subutilizadas passou de 27,8 milhões para 26,1 milhões, isto é, de 23,9% para 22,5% da força de trabalho. Esse grande grupo inclui os trabalhadores desalentados, aqueles ocupados por tempo insuficiente e também a força de trabalho potencial, além dos próprios desempregados. Foi a menor taxa para o trimestre desde 2016 (20,1%).

Outras mudanças positivas foram apontadas pela nova pesquisa do IBGE. O número de empregados com carteira assinada no setor privado aumentou 2% e chegou a 35,2 milhões, excluídos os trabalhadores domésticos. O rendimento médio habitual, R$ 2.569, ficou estável em relação ao trimestre anterior, apesar da inflação muito intensa, mas diminuiu 7,9% em relação ao valor de um ano antes. Com o aumento do emprego, a massa de rendimento real ficou estável na comparação entre os dois anos.

O volume de vendas do comércio varejista no primeiro trimestre foi 1,3% maior que o de um ano antes, contribuindo para a melhora das expectativas. Mas o prolongamento da inflação, o desemprego ainda elevado e os juros muito altos motivam dúvidas quanto ao ritmo de expansão do consumo até o fim do ano.

Apesar da melhora recente, o quadro do emprego no Brasil é muito mais feio que o da maior parte do mundo capitalista. Entre fevereiro e março caiu de 5,2% para 5,1% a desocupação média em 38 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No primeiro trimestre, só quatro dessas economias – Espanha, Grécia, Colômbia e Turquia – apresentaram taxas de desocupação maiores que a brasileira. Em 18, as taxas foram inferiores a 5%. Além disso, na maior parte dos países da OCDE a inflação é mais branda que no Brasil e a situação dos desempregados é bem mais suportável. Uma das marcas da economia brasileira nos últimos oito anos, principalmente nos últimos três, foi o aumento da pobreza, acompanhado, para milhões de famílias, do ressurgimento da insuficiência alimentar ou mesmo da fome.

Apesar da redução do desemprego, falta avançar muito, na mudança do cenário econômico e social, para reduzir a distância entre o Brasil e a maior parte das economias emergentes e desenvolvidas.

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