Mais pobre e mais desigual

Piora do Índice de Gini, a partir de 2014, é prova contundente da fragilidade de ações de governos chefiados pelo PT.

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2019 | 03h00

O País predominantemente pobre e, pior, com renda ainda mais concentrada apresentado pelos dados sobre rendimentos da população brasileira é a dramática consequência das falácias que encobriram as chamadas políticas sociais da era lulopetista. A pesquisa Rendimento de Todas as Fontes 2018, baseada nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o retrato em números da herança social legada pelo lulopetismo. A piora, a partir de 2014, do Índice de Gini, indicador internacionalmente utilizado para aferir o grau de concentração de renda numa sociedade, é a prova mais contundente da fragilidade das ações dos governos chefiados pelo PT, sempre anunciadas com inequívoco discurso político-eleitoral, e da precariedade dos mecanismos nos quais elas se sustentavam.

Durante algum tempo, os números da realidade social do País pareciam justificar essas políticas pretensamente redistributivas de renda e de combate à pobreza, pois sugeriam a incorporação de milhões de brasileiros às facilidades oferecidas pelo crescimento econômico. Não foram necessários muitos anos, porém, para que esses números, em sua grande maioria, se desvanecessem, como bolhas que eram.

Em lugar do país mais rico e socialmente menos desigual prometido e anunciado por Lula da Silva e seus incorrigíveis seguidores, a pesquisa do IBGE mostra um Brasil às voltas com seus velhos problemas sociais marcados por grande disparidade de renda. O Índice de Gini do rendimento médio mensal real domiciliar per capita, que varia de zero (para a igualdade absoluta) a um (para a concentração máxima da renda), mostrou tendência de redução entre 2012, quando começou a ser calculado pelo IBGE, e 2015, no início da crise econômica que marcou a fase final da era lulopetista (a presidente Dilma Rousseff seria cassada no ano seguinte). Nesse período, diminuiu de 0,540 para 0,524. Mas a tendência mudou em 2016, quando subiu para 0,537, até alcançar 0,545 no ano passado.

De acordo com o IBGE, o rendimento médio mensal real do 1% da população com maiores rendimentos era de R$ 27.744 no ano passado, o que corresponde a 33,8 vezes o rendimento médio da metade da população com os menores rendimentos (R$ 820). Da massa de rendimentos médios mensais per capita, os 10% da população com renda mais baixa detinham apenas 0,8%, enquanto os 10% mais ricos ficavam com 43,1%.

Esses números mostram que a crise econômica decorrente dos desmandos da política econômica de Dilma Rousseff, além de provocar a alta do desemprego, fez a renda se concentrar mais na mão dos que ganham mais. O legado dilmista foi, assim, duplamente danoso para as faixas de menor renda da população, pela redução das oportunidades de ocupação remunerada e pela perda proporcional de renda para as camadas de renda mais alta. E os brasileiros que ganham menos eram aqueles que o PT sempre garantiu proteger.

Consequência da crise que se estendeu do segundo semestre de 2014 até o início de 2017, o rendimento médio real de todas as fontes caiu nos últimos anos. Em valores constantes, o rendimento verificado em 2018, de R$ 2.166, é menor do que o de 2014, de R$ 2.177.

Entre 2017 e 2018, cresceu a participação da aposentadoria e das pensões entre os componentes das outras fontes de rendimento, de 19,9% da renda domiciliar per capita para 20,5%. O envelhecimento da população, com o consequente aumento dos beneficiários do sistema previdenciário, é uma das causas. Outra, talvez mais relevante, é a valorização do salário mínimo, que indexa os benefícios previdenciários.

Vem diminuindo a participação dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, na renda das famílias. Eram 15,9% dos lares em 2012 e 13,7% no ano passado. Curiosamente, entre 2017 e 2018, aumentou o número de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família, de 9,46 milhões para 9,7 milhões. Parte das famílias excluídas durante o recadastramento de 2017 pode ter se reincorporado ao programa.

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