Menos demagogia, mais saúde

O governo não remediou as deficiências do Mais Médicos petista e agravou a politização da Saúde

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2022 | 03h00

Após três anos de gestão – dois em meio à maior crise sanitária dos tempos modernos –, o governo tenta efetivar seu prometido substituto para o programa Mais Médicos, o Médicos pelo Brasil.

Ambos os programas respondem, em tese, a um diagnóstico grave: a falta de médicos nas regiões periféricas do País. O Mais Médicos foi implementado no improviso, como reação do governo Dilma Rousseff às manifestações de junho de 2013. Na prática, o objetivo foi alavancar a candidatura do então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo de São Paulo e a de Dilma Rousseff à reeleição para a Presidência, e, por último, mas não menos importante, financiar a ditadura cubana.

Alardeado pelo lulopetismo como uma “revolução” – como se a mera presença de médicos pelo interior do País fosse uma espécie de panaceia para a saúde pública –, o Mais Médicos esteve desde o princípio eivado de imoralidades e ilegalidades.

As condições de trabalho foram fabricadas para desestimular a adesão de médicos nacionais e estrangeiros. Assim foi possível colonizar o programa com médicos importados de Cuba, que num certo momento chegaram a representar quase 80% do seu contingente. Os médicos cubanos recebiam apenas uma fração do salário previsto. O resto era diretamente transferido aos cofres da ditadura castrista. Além de atropelar a legislação trabalhista, o programa ajudou a transplantar para o território brasileiro práticas da ditadura cubana, como restrições à liberdade de movimento e de expressão dos médicos. Enquanto isso, as demandas de infraestrutura na Saúde eram despudoradamente negligenciadas.

A “descubanização” do Brasil foi uma das principais armas do arsenal eleitoreiro de Jair Bolsonaro. Três anos depois, vê-se que o seu governo é uma réplica exata da gestão petista da Saúde – apenas com o sinal ideológico invertido –, ou seja: uma oscilação ininterrupta entre incompetência e demagogia.

Vencendo uma disputa duríssima com áreas como as Relações Exteriores ou a Educação, pode-se dizer que a Saúde é hoje o setor mais politizado da administração pública brasileira. Essa mixórdia demagógica, com consequências muitas vezes letais, foi exposta em detalhes pela CPI da Pandemia.

O Médicos pelo Brasil coroa a demagogia com a incompetência. O programa foi lançado em 2019, mas atravessou inoperante a pandemia. As deficiências do Mais Médicos não só não foram solucionadas, como se agravaram com o descaso. Os médicos cubanos, obrigados pelo regime castrista a abandonar o programa após as medidas saneadoras implementadas pelo governo Temer, não foram repostos. Ao todo, são 3.390 vagas sem preenchimento. Oito anos depois do Mais Médicos, o diagnóstico inicial continua mais real do que nunca: o direito à saúde de centenas de milhares de brasileiros segue violado.

Como se esse legado das administrações lulopetista e bolsonarista não fosse suficientemente grave, os candidatos honestos imbuídos do espírito republicano nas próximas eleições ainda terão o desafio de combater o vírus da politização inoculado por elas na Saúde. 

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