Na indústria, nem Natal faz milagre

Em novembro, ocupação de mão de obra na indústria de transformação era a mesma de agosto, indicando freio na contratação

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2021 | 03h00

Nem as festas de fim de ano têm favorecido a oferta de vagas industriais. O emprego nas fábricas, em outubro, ficou estável pelo segundo mês consecutivo, igual ao de agosto, portanto, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). No setor de transformação, parece estar esgotada, portanto, “a recuperação nas contratações após a crise causada pela pandemia”. Esses cálculos já descontam os efeitos sazonais. De janeiro a outubro de 2021 o emprego no setor superou por 4,2% o de um ano antes. Mas o nível de ocupação nunca retornou, durante os últimos seis anos, ao de outubro de 2015, início da recessão deixada como herança pela presidente Dilma Rousseff.

A fraqueza do emprego industrial combina com o baixo dinamismo do setor. Em outubro, a produção da indústria foi 0,6% menor que a de setembro, acumulando cinco quedas consecutivas e oito resultados negativos em dez meses, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pior que isso, o setor nunca reverteu por completo o declínio iniciado em 2013. A redução de postos industriais é especialmente danosa, no Brasil, porque a produção industrial é a fonte mais importante de empregos formais, ou, para retomar uma expressão usada em documentos da Organização Internacional do Trabalho, de “empregos decentes”.

Mas a redução do emprego e a piora de suas condições têm ido muito além, há alguns anos, da atividade na indústria. As oportunidades têm surgido principalmente nas atividades informais, com baixa remuneração, baixos padrões de segurança e nenhuma garantia trabalhista. No trimestre findo em setembro, 38 milhões de pessoas, 40,6% da população ocupada, atuaram na informalidade, informou o IBGE. Nesse período, a desocupação, 12,6% da força de trabalho, foi menor que no trimestre de abril a junho, mas o quadro permaneceu muito pior que na maior parte dos grandes emergentes.

Além disso, as perspectivas permanecem sombrias, num país sujeito à inflação acelerada e com projeções de economia estagnada nos próximos dois anos. Calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) caiu 4,1 pontos em novembro e chegou a 83, o menor nível desde abril (78,9). “A desaceleração da economia parece contribuir para a queda do indicador, que nesse mês foi disseminada em todas as partes que o compõem”, disse o economista Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV. O setor de serviços vinha puxando a retomada do emprego, mas “começa a perder fôlego”, acrescentou.

Os sete componentes do IAEmp tiveram variação negativa em novembro. As maiores variações foram as dos índices de emprego previsto na indústria (-1), situação atual dos negócios em serviços (-1) e situação atual dos negócios na indústria (-0,9). “Apesar do avanço da vacinação, o ambiente macroeconômico mais frágil tem deixado os empresários cautelosos, o que limita a retomada do emprego”, observou Rodolpho Tobler, numa fala também distante do mundo róseo do ministro da Economia, Paulo Guedes.

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