Nem governo ruim detém a agricultura

A produção bate recordes, apesar da infraestrutura precária e obstáculos que o governo cria no plano externo

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 03h00

O bom volume de chuvas estimula a semeadura das culturas da primeira safra de grãos do ciclo 2021/2022 e o resultado deve ser um novo recorde de produção. O campo retoma e acentua, desse modo, a trajetória que vem traçando há décadas, de rápido crescimento da produção, estimulado basicamente por ganhos de produtividade. Entre 1990 e 2021, a produção de grãos terá sido multiplicada por cinco (aumento de 397,2%), enquanto a área cultivada não terá sido nem sequer duplicada (aumento de 84,5%).

 

Na segunda estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento para o ciclo 2021/2022, a produção brasileira de grãos deve alcançar 289,8 milhões de toneladas, com aumento de 14,7% (variação de 37 milhões de toneladas) sobre o ciclo anterior, prejudicado pelo clima desfavorável. Com relação à área total cultivada, a estimativa é de 71,8 milhões de hectares, com aumento de 4,1% sobre o ciclo anterior. A produtividade, assim, deverá crescer mais de 10%.

O resultado assegurará a manutenção da posição do Brasil entre os maiores produtores agrícolas do planeta e de liderança em alguns produtos de grande presença no mercado internacional, como a soja. A produção estimada de 142 milhões de toneladas, 3,4% maior do que a da safra anterior, mantém o País como maior produtor e maior exportador mundial de soja.

Nem os obstáculos que o governo Bolsonaro tem criado para os negócios do Brasil no exterior, especialmente com a China, conseguem prejudicar de maneira expressiva o papel do agronegócio no crescimento do País. O campo continuará sendo importante fator de tranquilidade das contas externas, por meio do grande volume de exportações do agronegócio, e de garantia de alimentos na mesa dos brasileiros, num período em que outros segmentos da economia começam a patinar.

Baseada em boas práticas gerenciais e atenção aos avanços da pesquisa e da tecnologia voltados para a agropecuária, sem descurar das consequências da atividade sobre o meio ambiente, a agricultura tem conseguido resultados notáveis. Nem a precariedade de infraestrutura ou a baixa eficiência da logística de exportação, que encarecem o produto depois que ele ultrapassa as porteiras da fazenda, têm impedido o avanço da atividade agrícola no País. Comparados com os do início da década de 1990, alguns resultados impressionam. Ainda que já então houvesse otimismo com relação à evolução da agricultura brasileira, seria difícil, naquela época, imaginar o que aconteceria nos anos seguintes.

A quintuplicação da produção de grãos (passou de 58,3 milhões para os agora estimados 289,8 milhões de toneladas) resume o avanço que se conseguiu desde então. Mas boa parte do aumento da produção se deveu a ganhos de produtividade. A de arroz, por exemplo, passou de 1.906 quilos por hectare em 1990 para estimados 6.858 kg/ha na safra 2021/2022, um aumento de 260%; a produtividade do trigo aumentou 182% e a do feijão, 130%.

Competência, tecnologia, conhecimento e seriedade – tudo o que falta ao governo, mas abunda no campo – explicam esses ganhos.

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