Novo impulso nos negócios

As famílias podem estar menos contidas, mas o alto desemprego continuará, provavelmente, afetando o ânimo dos consumidores. Mas há sinais de melhora, embora modestos

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 03h00

A melhora da economia brasileira – um pouco mais vigorosa no terceiro trimestre – foi confirmada pela segunda alta mensal consecutiva do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). A divulgação desse indicador, na quinta-feira passada, se somou às boas notícias sobre o aumento da produção industrial, a expansão do consumo e a movimentação maior do setor de serviços publicadas nas duas primeiras semanas de novembro. De agosto para setembro, o IBC-Br subiu 0,44%. O resultado trimestral foi 0,91% superior ao do período de abril a junho e 0,99% mais alto que o do terceiro trimestre de 2018. Conhecida como prévia do Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de atividade apresentada mensalmente pelo BC é usada no mercado como sinalizador de tendência.

Os novos sinais positivos mais confirmam do que alteram as expectativas mais otimistas já indicadas pelos economistas do setor financeiro e das principais consultorias.

Essas expectativas, já alteradas nas últimas semanas, são de crescimento econômico próximo de 1% neste ano, talvez pouco superior, e na faixa de 2% a 2,20% em 2020. Uma ou outra instituição pode estar mantendo projeções mais altas que essas, mas com diferença muito pequena. Há cerca de um mês a expansão do PIB prevista para 2019 andava mais perto de 0,80%. Uma taxa de 2% no próximo ano era avaliada por muitos analistas como o melhor resultado possível.

Embora confirmando um aumento de atividade no terceiro trimestre, o indicador do BC apenas coincide com a maior parte das projeções para 2019 já melhoradas pelos economistas do mercado. De janeiro a setembro, o IBC-BR foi 0,80% maior do que no período correspondente do ano passado. A comparação do terceiro trimestre de 2019 com o terceiro de 2018 mostrou avanço de 0,99%. Também bateu em 0,99% o aumento da atividade acumulado em 12 meses, quando comparado com o período imediatamente anterior.

Se os cálculos do BC refletirem os fatos com razoável precisão, a economia estará ajustada ao melhor desempenho estimado para o ano pelos técnicos do mercado. Os economistas do governo também evitam arriscar-se em previsões mais otimistas para 2019.

Será ainda preciso verificar se o ganho de vigor ocorrido no terceiro trimestre terá sido um prenúncio de maior dinamismo nos meses finais deste ano. Na hipótese mais entusiasmada, esse maior dinamismo dará à economia no próximo ano um dinamismo maior que o previsto até agora. Empresários e técnicos do comércio têm projetado um fim de ano melhor que o do ano passado, com os consumidores menos cautelosos do que foram na maior parte de 2019.

Se isso se confirmar, algum impulso será transmitido às empresas no começo do ano. No quadro mais positivo, lojas e fábricas entrarão em 2020 com estoques muito baixos e terão de se mexer para reconduzi-los a um nível considerado razoável. Há quem aposte num consumo sensivelmente estimulado pela liberação de dinheiro do FGTS e do PIS-Pasep. Mas isso dependerá, em boa parte, do grau de segurança das famílias para ir às compras com maior entusiasmo.

Os números do comércio em setembro mostram uma disposição pouco melhor dos consumidores. O varejo restrito – sem veículos e sem material de construção – vendeu 0,7% mais do que em agosto e 2,1% mais do que em setembro do ano passado. Nas vendas do varejo ampliado – com inclusão daqueles dois itens –, o crescimento no mês chegou a 0,9%. Combinados com o crescimento de 0,3% da produção industrial e com o aumento de 1,2% nos serviços, os números do varejo compõem um cenário até mais animador do que os economistas vinham prevendo.

Até agora a reação parece ter sido orgânica, uma virada de ciclo ajudada parcialmente pelo BC com o corte de juros. As famílias podem estar menos contidas, mas o alto desemprego continuará, provavelmente, afetando o ânimo dos consumidores. Mas há sinais de melhora, embora modestos, e o quadro sombrio do primeiro semestre pode ter sido superado.

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