O crédito para pequenas empresas

Com disponibilidade de financiamento, MPEs evitaram deterioração mais acentuada do mercado de trabalho

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2022 | 03h00

As micro e pequenas empresas (MPEs) demonstraram sua grande capacidade de geração de emprego durante a pandemia, e assim tiveram papel fundamental para evitar deterioração ainda mais acentuada do mercado de trabalho. Temia-se que, por serem mais vulneráveis às dificuldades conjunturais do que as empresas de maior porte e, por isso, em tese com menor acesso aos empréstimos bancários, as MPEs passassem a enfrentar mais dificuldades financeiras na pandemia, sobretudo para o capital de giro. Elas contaram, no entanto, com grande apoio financeiro para manter suas operações e criar postos de trabalho. Estudo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra que o crédito destinado às empresas de menor porte teve expansão de praticamente 95% no resultado acumulado de 2020 e 2021.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostram que, entre 2007 e 2019, os pequenos empreendimentos foram responsáveis pela criação de 12,4 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, enquanto as médias e grandes empresas fecharam 1,5 milhão de postos. No ano passado, as micro e pequenas empresas responderam por 78% de 2,7 milhões de vagas abertas. 

As taxas de desocupação caíram nos últimos meses, mas continuam muito altas. Muitos trabalhadores que perderam o emprego abriram negócio próprio, tornando-se empreendedores de pequeno porte. O crescimento do negócio, que pode resultar na contratação de empregados, depende das condições do mercado, da capacidade gerencial do novo empreendedor e de apoio financeiro. O crédito bancário obtido pelas MPEs alcançou proporções recordes nas estatísticas das instituições financeiras e teve papel relevante na sua expansão e na sua capacidade de geração de emprego.

Em setembro de 2021, a carteira de crédito das micro e pequenas empresas somava R$ 363,9 bilhões, valor 94,7% maior do que o registrado em dezembro de 2019, segundo a Febraban. A expansão do crédito concedido pelos bancos a esse segmento de empresas foi muito mais intensa do que o aumento do crédito oferecido para todas as pessoas jurídicas, razão pela qual a fatia das MPEs no total de financiamentos passou de 13,2% em 2019 para 19,7% em 2021. A maior parte dos empréstimos foi destinada a capital de giro.

Curiosamente, a maior expansão do crédito para as MPEs foi registrada entre os bancos de maior porte, com ativo igual ou superior a 10% do PIB ou atividade internacional relevante, e que, pelo porte, poderiam não ter interesse nessas operações. Eles respondem por quase 70% de todo o crédito destinado às empresas pequenas. Sua carteira de MPEs, de cerca de R$ 250 bilhões, passou a representar 23,3% de todo o crédito para pessoas jurídicas.

Para o presidente da Febraban, Isaac Sidney, números como esses “desfazem o que muitos alardeavam no sentido de que o crédito não chegava na ponta para micro e pequenas empresas” e mostram o papel do sistema bancário no apoio a esses empreendimentos vitais para o emprego e o crescimento da economia.

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