O desafio da Indústria 4.0

Brasil corre o risco de ficar fora da nova economia mundial, não tendo maior relevância em nenhuma das áreas estratégicas da Indústria 4.0.

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2019 | 01h40

Um mês depois da realização do Fórum Público da Organização Mundial do Comércio, convocado para discutir inteligência e nanotecnologia, no qual a diretoria do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apresentou uma pesquisa mostrando que 32% das 227 empresas brasileiras entrevistadas pela entidade disseram não saber o que é a chamada Indústria 4.0, o Fórum Econômico Mundial anunciou uma importante medida para tentar enfrentar esse problema. 

Segundo a pesquisa, apenas 5% das empresas brasileiras se sentem “muito preparadas” para enfrentar os desafios da Quarta Revolução Industrial. Em termos concretos, isso significa que o Brasil corre o risco de ficar fora da nova economia mundial, não tendo maior relevância em nenhuma das áreas estratégicas da Indústria 4.0. O País pode perder não apenas o mercado internacional, que sempre lhe foi difícil de conquistar e manter, mas até mesmo o mercado doméstico. O levantamento da Fiesp também mostrou que quase 60% das empresas brasileiras ainda utilizam o lean manufacturing – o sistema de produção enxuta. 

Com o objetivo de estimular as pequenas e médias empresas brasileiras a se prepararem para a chamada Quarta Revolução Industrial, o Fórum está preparando um projeto-piloto para difundir na iniciativa privada a importância da adoção de dispositivos inteligentes no maquinário industrial nacional. A ideia é estimular os governos federal e estaduais, as universidades e a sociedade civil a difundir o conceito de Indústria 4.0 no País, envolvendo cerca de 130 empresas em 2021, chegando a 2 mil em 2022. Ele será lançado em São Paulo em maio de 2020, durante a realização do Fórum Econômico Mundial para a América Latina. 

Esse projeto-piloto é quase igual ao que o Fórum Econômico Mundial já vem implementando em países como China, Japão, Índia, Colômbia, Emirados Árabes, Israel, África do Sul e Arábia Saudita. Todos os projetos têm em comum o objetivo de estimular a criação de protocolos para tecnologias de rápido desenvolvimento, como veículos autônomos, drones preparados para fazer entregas e blockchain. A diferença é que o Brasil será o único a receber um enfoque específico para as pequenas e médias empresas, uma vez que elas correspondem a 98,5% das companhias existentes no País. 

Segundo o diretor do Fórum Econômico Mundial, Murat Sönmez, se não recuperar o atraso na transição da Terceira para a Quarta Revolução Industrial, o Brasil não conseguirá passar a níveis mais sofisticados de produção e permanecerá muito abaixo dos padrões necessários para ocupar novos espaços no mercado mundial. “Se as pequenas e médias empresas não se automatizarem, elas desaparecerão. Se não nos movermos rápido, ficaremos ainda mais para trás. A Quarta Revolução Industrial não vai esperar pelo Brasil”, afirma Sönmez.

Essa revolução começou com a difusão das tecnologias de comunicação desenvolvidas nas últimas décadas do século 20 e se intensificou com os avanços na inteligência artificial e na biotecnologia. A partir da primeira década do século 21, numa velocidade muito maior do que as três revoluções anteriores, a Quarta Revolução Industrial passou a envolver o conjunto de recursos produtivos propiciados por tecnologias de robótica e inteligência artificial, que vem possibilitando grandes ganhos de produtividade e de competitividade em todo o mundo. 

A iniciativa do Fórum Econômico Mundial só merece aplauso. Além de suporte financeiro, seu projeto-piloto oferece programas de qualificação profissional e capacitação de funcionários. Esse é um ponto fundamental, uma vez que o Brasil é um dos países que menos formam profissionais nas áreas de tecnologia, engenharia e matemática. Sem capital humano, é impossível acompanhar as transformações que a Indústria 4.0 vem causando no mundo. 

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